BLOG DO GUSMÃO

NOTA DE RETRATAÇÃO

Publicamente serão feitos esclarecimentos sobre a Nota de Repúdio dos Professores de Inema e Pimenteira, publicada no dia 06/09/2013, neste blog, para que não sejam feitas interpretações errôneas sobre os pontos de vistas expostos na mesma. Busca-se, por meio desta Nota, uma retratação à Secretária Municipal de Educação (Dra. Marlúcia Rocha), pelas críticas vinculadas.  O comunicado em momento algum teve como objetivo intenções diferentes destas. Vale salientar o pedido de perdão e desculpa pública.   Se o erro foi pelos excessos, os mesmos foram por amor e zelo à Ilhéus. Se por falta, foi por esquecer o fato de que nem todos estão a par do contexto da realidade vivida. Humildemente, pede-se desculpas a todos.

Toda e qualquer família tende a conviver com problemas de ordens estruturais – e estar à frente de uma secretaria não se constitui uma simples tarefa. Sabe-se das dificuldades, das rotinas e demandas diárias, afinal de contas, administrar nossa própria casa às vezes torna-se uma difícil missão, imaginemo-nos comandar toda uma rede de ensino, com problemas de naturezas diversas – realmente não é fácil. Mas não se pode perder de vista que ao assumir esse tipo de responsabilidade torna-se suscetível receber elogios e críticas.

Prossegue interpretações daquela nota:

A ideia contida no primeiro parágrafo foi sinalizar à falta de solução para a ausência de aulas naquelas localidades por conta do vale transporte, uma vez que, documentos tinham sido encaminhados a vários setores da prefeitura.

No segundo parágrafo, buscou-se retrata as peculiaridades e consequências do trabalho nas escolas de difícil acesso (deixar lares; dormir três/quatro dias fora de casa; deixar familiares; não estar presente quando alguém da família precisa – em especial pais ou filhos –; não ter água tratada; não contar com postos para urgência e emergência; da falta de transporte; despesas extras por conta do pernoite – residência fixa e temporária no local; desgaste físico com o trabalho em duas escolas distantes uma da outra – em virtude da condição da estrada – dificuldades de manter outro vínculo empregatício; dificuldades para conciliar horário de cursos na zona urbana etc.).

As considerações do terceiro parágrafo dizem respeito às condições mínimas e necessárias para o exercício da função (deslocamento + pernoite), nesse caso – ajuda de custo (com auxílio do município para estar nessas localidades).

No quarto parágrafo, cabe retratação – por expor o salário de vossa excelência e, ainda, erroneamente, mas corrigido pelo blog.

Quando na nota dizia: ficamos estarrecidos com esta postura, extremamente vergonhosa (quinto parágrafo) – isso se dá mediante fato de que por conta de sua Competência e Excelência Acadêmica a senhora poderia expor às dificuldades da educação pública municipal na prática ainda que fosse dito: “infelizmente, apesar de compreender, não depende de mim; foi solicitada a concessão, mas indeferida”. Compreendendo, por exemplo, que a vantagem prevista no art. 37, § 2° do Estatuto do Magistério de Ilhéus: “Somente terá direito à gratificação, prevista no caput desde artigo, o docente que residir na sede do município de Ilhéus e mantiver o exercício funcional em escola de difícil acesso” pode ser estendido aos demais professores de cidades circunvizinhas, via acordo coletivo – o que é legal! – para agilizar o processo de regularização da ajuda de custo, tomando como base os princípios da isonomia e da razoabilidade. Assim, os professores das cidades circunvizinhas têm as mesmas condições de trabalho, de deslocamento e permanência dos professores residentes de Ilhéus e ao fato crucial do pernoite ser uma consequência da ausência de transporte e não por conta da residência fixa do professor. – e, portanto, entendeu-se naquele momento que a secretária negou, por esse entendimento, um direito (ainda não regulamentado em leis específicas, mas garantido em Leis superiores), sob a alegação de erro no Estatuto do Magistério.

O sexto e sétimo parágrafo referiu-se ao juramento de sua graduação e, portanto, não entender sua postura naquele momento, e consequentemente, levando a questionar seu ponto de vista – e jamais, de sua competência e atuação, até por que seus títulos refutam tais questões.

Para que não sejam feitas interpretações errôneas sobre os pontos de vistas expostos na mesma, fica então descartas quaisquer equívocos de compreensão daquela Nota. Conquistas e direitos devem ser construídos através de um diálogo sincero, amplo e acessível como realizado no dia (10/09/2013) onde a Secretária de Educação Marlúcia Rocha, em um diálogo franco, acessível, e acolhedor mostrou-se sensível a situação dos profissionais (difícil acesso). Nesse sentido, buscou-se encontrar formas e alternativas inteligentes tendo em vista o momento difícil pelo qual o município vem passando e como família acertar e errar juntos. E por esse entendimento, tem-se a certeza de não mais utilizar qualquer tipo de mídia (escrita, virtual ou falada), para expor anseios.

Por conseguinte, é afirmado e reafirmado a retratação e pedido de desculpa à Secretária Municipal de Educação (Dra. Marlúcia Rocha), tendo a certeza dos esclarecimentos e solicitações.

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Respostas de 5

  1. Penso que: Os autores da nota em questão, reivindicaram seus direitos ( e estão de parabéns por isso). Apenas pecaram quando deixaram de exercer sua cidadania prezando pelo necessário respeito as pessoas, o que em qualquer DEMOCRACIA CIVILIZADA constitui-se em ato falho e punível.
    Todavia, somos cristãos e humanos, logo, cumpre-nos o dever santo de compreender os erros, aplaudir os acertos e promover o esforço no sentido de não mais errar… Neste sublime instante permitimos o nosso crescimento quanto pessoa, permitindo nossa contribuição positiva a uma sociedade em muito invertida em seus valores.
    O que seria de nós se não fossem nossos lindos equívocos, afinal, com eles nos humanizamos e para que isso realmente ocorra é necessário que aprendamos com com os aplausos e criticas que eventualmente nos são dirigidos. Que venham, pois são parte de uma construção chamada “SER HUMANO”.

  2. Espera aí gente, fiquei sabendo por fonte segura, que está tal nota não é de autoria de todos o professores, mas de um apenas , que fez este papelão.

  3. Sou professora das escolas de Inema e Pimenteira, e em momento algum, autorizei a minha participação nessas duas publicações, nem a primeira (de agravo), e consequentemente, nem na segunda (de retratação).O ocorrido, foi por iniciativa de um colega apenas, que não comunicou aos demais, o que iria fazer, e colocou como se todos estivessem de acordo.

  4. Sou professora de Inema e Pimenteira, e me sinto hoje envergonhada, por estar sendo incluída em um pedido de desculpas públicas, a qual nao faço parte.Não estou comentendo crime nenhum em reivindicar meus direito de forma civilizada, como tem sido feito até agora.Não vou contra meus princípios e nem ao que sempre preguei aos meus alunos. Fiz parte apenas da primeira nota publicada aqui neste blog no mês de junho, assim como todos os OUTROS professores, e permaneço com a mesma postura e pensamento de antes. quero uma educação de qualidade e não aceito de forma nenhuma que as reivindicações (muito justas e que não objetiva apenas salário) dos professores de Inema sejam vistas de forma duvidosA, como foi publicadA no Bahia online.Meu sentimento é de tristeza e decpção.

  5. Sou professor de Inema e Pimenteira. Como disse no comentário da Nota publicada no dia 06/09, não fui eu quem fez o texto, bem como não autorizei sua publicação. No entanto, expliquei lá, os motivos pelos quais apoio e presto solidariedades ao autor. Com relação a esta Nota de Retração, por sua vez, fiquei surpreso com os excessos nos pedidos de desculpas e perdão – aliás, penso que não havia motivos para pedidos de desculpas, muito menos de perdão – LEIAM MEU COMENTÁRIO SOBRE A NOTA DO DIA 06/09! Contudo, não posso criticar o autor desta Nota de Retratação (supostamente, o mesmo autor da Nota de Repúdio), uma vez que não participei da reunião realizada na Secretaria Municipal de Educação, dia 10/09. Não participei por motivos de saúde, embora não participaria de qualquer jeito – pelo motivo da pauta principal: Nota de Repúdio! Mas tive o cuidado de encaminhar um documento para a senhora Secretária de Educação, com 7 (sete) páginas – protocolado –, onde faço algumas considerações sobre a Nota de Repúdio publicada no dia 06/09, mas acima de tudo, expondo – mais uma vez – a realidade e gravidade do problema. Entendo que o ponto chave da questão de Inema e Pimenteira seja a realidade visível a qualquer pessoa que tenha o mínimo de bom senso: “sem as condições mínimas e necessárias de deslocamento e pernoite é impossível o efetivo exercício da profissão na localidade.” E essas condições são de responsabilidade e competência da Prefeitura! Nas primeiras conversas com a Dra. Marlúcia, não houve esse “bom senso”. Contudo, segundo informações, a postura da senhora “Marlúcia Rocha, em um diálogo franco, acessível, e acolhedor” foi outra – mostrou-se sensível à situação dos profissionais (difícil acesso). No entanto, os professores presentes na reunião não confirmaram a fala do autor desta Nota no que se refere ao “buscou-se encontrar formas e alternativas inteligentes”. O atendimento foi mais acessível, todavia, de concreto apenas a regularização dos vales transportes “brevemente” – estou com síndrome do pânico do “brevemente”! Quanto à ajuda de custo, o discurso – segundo os colegas – foi o de que a Prefeitura não tem como conceder. Não vai conceder! Ora, isso é muito grave. Se não é possível a permanência sem a ajuda de custo, podemos cogitar que o ano letivo em Inema e Pimenteira está comprometido? Bem… Comprometido já está. Quero indagar: o ano letivo será dado por encerrado? Ou 42% dos professores necessários para completar o quadro docente darão conta das 800 horas? Gente… Vamos mascarar a realidade das escolas de difícil acesso? Vamos “fazer de conta” que os alunos tiveram as 800 horas de efetivo trabalho escolar, como merecem e tem direito? Sou franco a dizer: não estou tão estarrecido, indignado e revoltado quanto estou DOENTE! A situação pela qual estamos enfrentando é de adoecer qualquer um que tenha o mínimo de compaixão, de zelo, de amor e de compromisso com a Educação de Qualidade. Quero dizer ao autor do texto publicado no Jornal Bahia Online que o grupo de professores de Inema e Pimenteira permanecem críticos! São professores, educadores e cidadãos que lutam por seus direitos, saem em defesa da família e dos estudantes prejudicados – temos provas materiais disso. Bem verdade que o retorno de alguns, o silêncio de outros e a Nota de Retratação abrem um debate para tal questionamento, apesar do nosso contexto ser atípico. Por fim, quero deixar claro que no documento encaminhado à senhora Secretária, sugiro que Secretaria de Educação, setor jurídico do município, demais secretarias, legislativo e executivo analisem a situação e deem um parecer definitivo. Afirmei e reafirmo: se for provado que não temos tais direitos (deslocamento, ajuda de custo ou transporte alternativo para ir e vir, diariamente), não terei alternativa, senão a de pedir DEMISSÃO. Por favor, alegar falta de dinheiro – coisa mínima (para a Prefeitura) é subestimar a nossa inteligência! Da mesma forma, se aceitarmos o retorno com APENAS o vale transporte é ratificar o que foi postado no Jornal: “Esqueça liberdade de expressão. Jogue no lixo sua cidadania. Relembre os tempos do chicote. Do concordar para não ser punido.”

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