Por José Eli da Veiga / Publicado ontem, 29, no Valor Econômico.
Governança global é o jargão que se legitimou depois da Guerra Fria para designar a maneira pela qual o mundo se articula graças à cooperação. Além da emergência de mais complexa ordem de desalinhamento multipolar, a expressão reflete simultâneo aumento da participação e influência de agentes da sociedade civil – principalmente do empresariado e do terceiro setor – em processos que criam e gerenciam acordos e organizações internacionais.
Cabe perguntar, então, em que pé está essa governança quase um quarto de século após o crepúsculo da ordem bipolar. Respostas diferentes, mesmo que compatíveis, foram recentemente lançadas por duas das principais autoridades no tema: Robert O. Keohane (Princeton) e David Held (Durham, RU).
Para Keohane, há um duplo desapego do padrão de governança assentado nos estruturantes regimes ocidentais nascidos em Bretton Woods e no deslanche das Nações Unidas. Por um lado foi aumentando o multilateralismo “de contestação” e, por outro, emergindo dois novos tipos ou “modos” mais pluralistas de governança, que incipientemente complementam o padrão fundacional: o “orquestrado” e o “experimentalista”.
O multilateralismo contestatório começou nos anos 1960 com a articulação da Unctad por países do Sul, exemplo logo em seguida imitado pelos do Norte com a criação da Wipo para proteger a propriedade intelectual. Fenômeno que se proliferou em áreas tão diversas quanto a das vacinas, com a Gavi, do combate à aids, com a Unaids, da energia, com a Irena, da biodiversidade, com o Protocolo de Cartagena, e até na da segurança, com a PSI.









