
Por Florentino Ariza
Li o texto de um certo Tristan Alzu. O nome do autor (sua possível identidade ou avatar) sugere apenas a desconfiança natural de quem lê muitos blogs espalhados pelo vasto mundo da internet. Tempos de caos esses que vivemos no que diz respeito à veracidade das fontes e dos autores. A nova realidade impõe suspeitar com segurança quem disse o que, ou o que quer que seja dito. É nesse ambiente de desconfiança que comento “Os Rins”.
Antes, porém, devo alertar que o nome que assina este comentário, Florentino Ariza, tampouco é digno de absoluta confiança, pois é soberbamente conhecido esse personagem de Garcia Marquez desde “O Amor no Tempo do Coléra”. Assim, que não é possível saber, por sua vez, se o próprio Tristan Alzu ou Florentino Ariza não passam de produtos da mente doentia de um certo Aristis Arrabál, este sim um conhecido estelionatário que habita e faz comércio entre a Colômbia, Venezuela e o estado do Amapá, no Brasil. A Aristis lhe imputam vender coleções piratas com obras de Jorge Luis Borges atribuídas a Bioy Casares, além de outras falsificações atribuídas a Vargas Llosa, não se sabe qual deles. Mas, pelo estilo andino, possivelmente ao Llosa neoliberal.
Uma nota encontrada pela Interpol, nas investigações dos rastros de Aristis Arrabál, trazia um comentário sobre o Florentino Ariza, no qual confessava certa simpatia pelo textos publicados sob esse nome mas, afirmava categoricamente, que se tratava de uma falsificação grosseira. Os catedráticos e outros acadêmicos (inclusive aqueles com diplomas suspeitos) foram consultados sobre registros da época e unânimes em afirmar que tudo não passava de boataria e nenhum texto desses citados autores constava nas antologias sérias ou reconhecidas pela academia.
Feitas essas ressalvas e definitivamente reconhecendo a morte do autor clássico, aquele que tinha pai, mãe, infância e casa onde morou na juventude, esse desapareceu para sempre. Nem mesmo ou sobretudo a história oficial, cujo autor é o Estado Nacional, é mais digna de confiança. Indício disto pode ser encontrando no texto do embaixador turco Ersin Erçin, publicado pelo jornal brasileiro “A Folha de São Paulo”, negando o genocídio de milhões de armênios na guerra, em 1915. O embaixador contrapõe à “propaganda política” dos armênios um “debate acadêmico legítimo”. E coloca à disposição dos interessados ‘nas verdades’ os registros e bibliotecas do Império Otomano. E ainda brada raivoso contra as fontes dos armênios, dizendo que essas não passam de “publicações tendenciosas e distorcidas”.
Ah sim, “Os Rins”! Deixo claro que considero abusiva a forma de relacionar regiões anatômicas e procedimentos médicos com fatias de filé mignon untadas com ervas finas. É banal, vulgar exibicionismo, dar publicidade ao fato. Não encontro nada de fino ou requintado nessas associações. O mau gosto, imposto por certa tendência à coprolalia, é um desvio que deve ser curado, ainda que hoje se navegue na mais absoluta poluição das outroras fontes cristalinas de vistosas verdades puras.
Tudo isso, vindo sabe Deus de onde, remete aos nossos débitos com a memória. Mas esta é uma outra história e um outro esquecimento.









Uma resposta
Sou ascendente de turcos muçulmanos. Desde criança sempre ouvi “ponderações” incisivas, quando não, diálogos ríspidos entremeados às vezes por ameaças veladas quando vinha à baila o tema genocídio dos armênios. Esse sempre foi um assunto tabu entre turcos; pior ainda quando levantado por um incauto ocidental, logo verbalmente apedrejado com imprecações.
Do meu ponto de vista, conclui que foi um genocídio eugênico étnico cultural. Tentaram “apagar” os armênios do continente e da memória turca. Talvez Pouco mais ou pouco menos que as incursões praticadas até a atualidade contra os povos Curdos, confinados entre Irã; Iraque; Síria e Turquia, que insistem em não reconhece-los Estado Nação.
Evitei por toda a vida expor minha opinião e posicionamento pró armênios aos meus parentes. Caso o fizesse, teriam-me imputado a condição de cão infiel à cidadania turca. Nada a ver, senão justiça. Nunca concordei em varrer tal assunto para sob os tapetes de Isfahan; no máximo, um silêncio precavido e solitário.