
Por José Henrique Abobreira
Há uma clara percepção na cabeça das pessoas que acompanham a política em Ilhéus em relação ao trincamento das relações entre o Executivo e a sua bancada de vereadores.
Sinal evidente desse descompasso aflorou na derrubada, auxiliada pela bancada governista, de vetos encaminhados pelo prefeito Jabes Ribeiro sobre matérias aprovadas pela Câmara de Vereadores que, segundo o próprio prefeito, tinham teor inconstitucional.
O próprio Jabes declara que houve falha do governo na interlocução com os vereadores, ao longo desses quase dois anos. Fala-se no deslocamento de Jailson Nascimento para outra área de governo, pois na Serin, cujo desiderato é esse diálogo diuturno com o legislativo, ele mesmo confessou (em conversa recente com Jabes) que não conseguiu fazer essa interlocução. A partir dessa área, acredita-se, o prefeito começará a mexer e fazer a nova conformação de seu secretariado.
Urge a construção dessa ponte interagindo com a Câmara de Vereadores, principalmente com a sua bancada de sustentação, sem a qual o governo ficará impossibilitado de avançar. Isso não é difícil. Já fui vereador e sei que o parlamentar precisa receber afagos, respostas das indicações e pedidos de obras que faz pela sua comunidade. Afinal, essas respostas do executivo ajudam a oxigenar a própria ação e afirmação do governo junto à população, promovendo pequenas obras e correções no que não está funcionando bem, nos bairros e distritos.
Jabes é um político com vasta quilometragem na estrada da política. Deverá promover os ajustes necessários para a retomada do bom relacionamento com a sua bancada, colocando um secretário de relações institucionais afeito ao diálogo e que dê o devido retorno aos pleitos dos vereadores. O Jailson, atual secretário, é um monstro para trabalhar na política, haja visto a sua exitosa coordenação da campanha de Bebeto Galvão para deputado federal, talvez possa se reencontrar em outra área da administração, espera-se.
Em relação à eleição da nova mesa diretora da Câmara de Vereadores, o prefeito declara, em alto e bom som, que não promoverá interferência, mas acompanhará o processo como agente político que é. Ele rebate especulações da imprensa em relação à volta do Secretário de Assistência Social, Jamil Ocké, à Câmara. Segundo JR, esse seria um ato de profunda miopia política. Descartada essa possibilidade, Jabes já fez a primeira reunião com os vereadores da bancada, com exceção do Dr. Jó. Começou a ouvir os vereadores e partidos aliados.
Pelo pouco que conheço da política, o prefeito terá obrigação de acompanhar e ajudar nessa articulação, afinal, está em jogo o próprio sucesso do seu governo na aprovação de leis que irão estribar a retomada do crescimento das finanças do município de Ilhéus. Por exemplo, o projeto de lei sobre a reforma do Código Tributário Municipal que promoverá mudanças na planta genérica dos imóveis, adequando a cobrança do IPTU à valorização das propriedades.
José Henrique Ab0breira é auditor da receita estadual e articulista deste blog. Foi vereador e vice-prefeito de Ilhéus.








