
Por Thiago Dias
Acabei de descobri essa expressão maravilhosa: funcionários eleitos. Vi em um excelente material didático sobre políticas públicas.
Funcionários eleitos dividem-se em duas categorias: membros do Executivo e do Legislativo, diz o texto. Para a linguagem da administração, os agentes políticos (quem diria?) também respondem ao departamento de recursos humanos.
Funcionários eleitos – não paro de repetir. A expressão reflete o esforço do discurso positivista para representar a sociedade como organismo: as funções do corpo social. Não só. Além de biológica, a metáfora é maquínica (biomecânica?), pois o funcionário funciona como peça de um encadeamento complexo de desígnios e respostas (quase sempre protocolares).
Que ousadia! O vocabulário da administração reduz os pomposos agentes políticos a meros funcionários eleitos. Daqui a pouco chamaremos executivos e parlamentares de material humano. Será que as divindades do Judiciário escapam à sociologia funcionalista?
Desolado após a surpresa, lembro: os funcionários eleitos sempre agem como patrões.
Thiago Dias é repórter do Blog do Gusmão.









