Coluna “Folclore político”

Por José Henrique Abobreira
Era um sábado modorrento de agosto de 1996. A coligação “Pra Ilhéus Voltar a Sorrir”, encabeçada por Jabes Ribeiro (prefeito) e Abobreira (vice), visitava o interior, mais precisamente o distrito de Rio do Braço.
O velho Ulysses Guimarães, que sabia tudo de política, dizia que comício sem bêbado arengando no pé do palanque não era comício. Pois bem, caminhada de campanha no corpo a corpo com os eleitores sem bêbado também não tem graça.
O bêbado tem esse fascínio pela figura do político que lidera caminhadas. Cola na liderança falando muito. Às vezes, alegre e vibrante por acompanhar um famoso. Quando o candidato não o agrada, despeja impropérios.
A comitiva atravessou a rua. Na esquina, um botequim. De lá de dentro, na mesa de sinuca, o bêbado (em epígrafe) avistou a figura de Jabes. Não deu outra. Largou o taco, correu trôpego e gritou: – Jabes, eu vou com você!
Colou aos berros no pé do candidato e “tome-lhe abraços”. Jabes não conseguia cumprimentar os eleitores nas portas e calçadas. O bêbado não permitia, tal o grude e o volume altíssimo do palavreado.
Jabes esperou a melhor oportunidade para se desvencilhar do inconveniente. Precisava de espaço para um drible, se não a caminhada acabaria ali, inviabilizada pelo bêbado “chiclete”.
Vi quando apressou os passos no topo de uma pequena ladeira. O bebum tentou acompanhá-lo, cheio de pernas. O candidato acelerou na descida, parou na metade e girou 180 graus voltando-se para o alto da encosta.
Coitado do bebum. As pernas “movidas à pitanga” não lhe permitiram estancar a carreira. Corre “até hoje”, cheio de braços para se segurar em algo e frear a descida. Só parou lá embaixo, perto da cerca de uma roça de cacau, para as gargalhadas dos que presenciaram a cena cômica. A finta futebolística de Jabes foi “à La Mané Garrincha”.
José Henrique Abobreira é auditor da receita estadual. Foi vereador e vice-prefeito de Ilhéus.










Respostas de 6
FOLCLORE POLÍTICO. SEMANALMENTE APRESENTAREMOS, PARA VARIAR O TEMA ÁS VEZES ENFADONHO DE ANÁLISES POLÍTICAS E FATOS DO COTIDIANO, UMA COLUNA COM TEXTO CONTENDO FOLCLORE POLÍTICO, OU SEJA, PASSAGENS ENGRAÇADAS DE CAMPANHAS E ACONTECIMENTOS QUE ENSEJEM UMA PITADA DE BOM HUMOR.
Muito bom. Parabéns, Abobreira.
e as fintas politicas de jabes< de lá para cá se aperfeiçoaram mais ainda! até hoje ele vem dando fintas e dribles elasticos em coreligionaris e no povo de Ilhéus.
Para sermos coerentes conosco mesmo e para não deixarmos escapar “tão importante crônica” do Folclore Político de Ilhéus e onde o ímpar, J. H. Abobreira, mais uma vez, nos agracia com um de seus “artigos”, venho comentar aqui e agora, “mais esta arte” (jogo de cintura),(para muitos de nós desconhecida) do sr. Jabes Ribeiro. Temos que dar a mão à palmatória e afirmar, sem nenhum medo de errar, de que, o Jabes (atual Prefeito de Ilhéus), é um “futebolista profissional”, quiçá, até o poderemos comparar com os melhores do Mundo (quer a “fazer fintas”, a “passar a bola a outros” (quando lhe interessa, pois de outro modo, é muito individualista), utilizando tanto o “pé direito como o esquerdo (conforme e de acordo com o momento) nas suas jogadas”, às vezes “até jogando sem bola”, “prometer a vitória e uma boa classificação na tabela, mesmo antes do jogo terminar”, “gabar-se das suas habilidades”, “fazer faltas sem que os árbitros e o público se apercebam”, dizer à boca cheia que joga “por amor a Ilhéus… (seu clube favorito)”, gosta de ser o ÍDOLO dos seus “torcedores”, gosta de dar nas vistas quando joga (e se forem mulheres a ver, melhor ainda), enfim, e tudo o mais que os meus amigos Leitores poderão imaginar e do que ele será capaz de fazer.
Se eu estiver enganado, agradeço que me corrijam, mas gostava de acrescentar o que eu acho que seria a sua única grande pecha (inabilidade) como “jogador profissional”, ou seja, ele é um RUIM CONCRETIZADOR (rematador). Fala muito, diz que faz e não faz, tenta concretizar (com pés e mãos), mas não consegue (embora ele já saiba disso antecipadamente), a culpa é sempre dos outros e não dele, não joga em equipe (muito individualista), está sempre contra a corrente do jogo (pois acha que ele é imprescindível no team), tem outros “jogadores” no team, mas todos eles são irrelevantes para o desfecho do jogo, faz “alianças” e “jogo sujo” com os outros times (desde que ele se dê bem), pisa os adversários, faz muitas faltas (algumas delas com direito a cartão vermelho, só não sei por que ainda não foi expulso) e para terminar esta “crônica esportiva”, vou citar o que o sr. João Carlos Queiroz (e em referência ao título acima e que nos brinda, no final, com a tão falada e não menos importante “Chave de Ouro”, desde e sempre que nos referimos ao “esporte local” (de Ilhéus). Aqui vai…: “E as fintas políticas de Jabes? De lá para cá, se aperfeiçoaram mais ainda!!!… Até hoje, ele vem dando fintas e dribles elásticos, em seus correligionários e no Povo de Ilhéus.”. Fim do Jogo. Resultado 0 x 0. NADA x NADA. Querem melhor? Mudem de protagonista (sem jogo de cintura e nem fintas com maus resultados).
Grande Abobreira. Quem disse que alguém pensou ou muito menos falou que não gosta dos seus escritos? Você escreve leve, fluente, elegante e agradável! Eu mesmo, digo que é agradável lê-lo aqui. O que pega, além do tema briográfico/político, é o seu “muso inspirador”, um cara super antipático que nada fez por Ilhéus. Essa antologia política faz-nos lembrar o seriado Twin Peaks, onde a Lara Palmer é o Muso Jabes. E logo agora, quando esse personagem atinge o ápice da aprovação popular! Há insuspeitados resquícios da estilística de Leopold Ritter von Sacher-Masoch no conteúdo deste artigo; pelo menos naqueles do passado que ainda sofrem de Ilhéus no presente político do jabismo. Mas tem gente que gosta de sofrer e ressentir! Olha aí mais de 260 acesso! Vá entender a natureza humana? Você é um sábio em psicologia das massas, meu amigo Abobreira! Parabéns!!!
O homem é bom de finta mesmo, olha aí o lance do IPTU!