BLOG DO GUSMÃO

O VICE-PREFEITO E O LUAU DA MACONHA

Imagem: Ndig.
Imagem: Ndig.

Por José Henrique Abobreira/Folclore Político

abobreira artigoNa minha curta passagem pelo poder, oito anos consecutivos, sendo metade cumprindo as funções de fiscal do povo-vereador e outra parte exercendo o múnus público de vice-prefeito de Ilhéus, acumulando com o cargo de Secretário de Desenvolvimento Econômico, impus a mim mesmo algumas regras básicas. Já sabia que tudo na vida é passageiro, eu não era a autoridade, apenas a exercia provisoriamente exercendo a serviço da sociedade.

Justamente por esse entendimento evitei ter segurança particular (D. Marlise e eu sempre fomos adeptos das boas práticas dos casais amorosos, de vez em quando uma fugidinha ao boteco escondidinho na praia ou uma escapulida rápida e furtiva no motel para retemperar a relação amorosa, pra que então alguém nos nossos calcanhares? Risos). Carro oficial nem pensar, usava o meu carrinho Fiat Uno (não era o fusca do Mojica, ex-presidente uruguaio, mas, ele me copiou tenham certeza. Risos). Entendia eu que não devia me acostumar com essas pequenas glórias fugazes. Um dia tudo acaba e de repente o cabra viciado no poder vende até a mãe ao diabo para não perder as mordomias.

Também não abandonei o hábito de dar assistência aos filhos. Embora com a agenda apertada, cheia de compromissos institucionais de segunda a domingo, trabalhando principalmente na zona rural nos finais de semana (assentamentos de sem terra, aldeias indígenas, associações de pequenos produtores), mesmo com essa maratona corrida, quando chegava ao meio-dia do domingo não tinha mais pra ninguém. Nem para o presidente da República. Da Serra das Trempes, do Acuípe ou de Sapucaeira, despencava para casa e daí em diante o tempo apertado era todo dedicado a D. Marlise e filhos, na praia, no clube, enfim, com a diversão e aquela sensação gostosa de estar junto aos seres amados.

Deu-se que numa noite linda de verão com lua cheia, como já tinha o hábito de fazer com D. Marlise em todo período do plenilúnio mensal, saímos em busca de um cantinho agradável. Um lugar para passarmos bons momentos enamorados, fitando a lua com sua luz cintilante banhando de ouro o oceano. Fomos parar na Praia do Batuba, em Olivença.

Acompanhem a cena com atenção: parei o carro na beira da estrada, em frente à uma lanchonete-vagão, comprei duas latinhas de cerveja e convidei Marlise para saltar. Sentamos no gramado à beira-mar, com muitos coqueiros, e no mar a lua brilhava esplendorosa. Nos sentamos no tapete da relva e acendi um cigarro careta – risos. A enlacei carinhosamente e começamos a bebericar a cerveja.

Quando apurei a vista, verifiquei que o local estava lotado. Vários casais estavam sentados um pouco à frente. Eram muitos mesmo e cada casal daquele compartilhava uma tocha enorme e não era charuto cubano.  Tragavam e soltavam com deleite aquela fumacinha. De repente a cena virou um “Morrão Fumegante”.  Futuquei a companheira e falei baixinho: “vamos saindo de fininho pra outro canto”.

No carro ela perguntou porque havíamos saído, já que o local era tão agradável. Expliquei: aquela turma estava fazendo um luau de maconha. Imagina se rola uma batida policial e a polícia acha que estávamos fumando também. A manchete não seria outra: “Polícia flagra vice-prefeito e esposa no luau da maconha”. Ainda hoje damos muita risada quando lembramos aquela estripulia.

José Henrique Abobreira é auditor da receita estadual e articulista do Blog do Gusmão. Foi vereador e vice-prefeito de Ilhéus.

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