
Por Emilio Gusmão
Duvido que alguém tenha condições de falar com mais propriedade sobre a exoneração de Fred Abobreira do que este blogueiro.
Não afirmo por cabotinagem, e sim, por total conhecimento sobre o caso.
Sou amigo fraternal dos Abobreiras. Considero José Henrique meu segundo pai. Trocamos confidências e nos falamos várias vezes todos os dias. Meu primeiro voto para vereador, em 1992, foi para Abobreira (PT), “A Opção Socialista”. Na década de 80, ele frequentava a mercearia de meu pai na Cidade Nova, levado pelo odontólogo e militante comunista Napoleão Marques (já falecido).
Posso afirmar com toda convicção: o prefeito Jabes Ribeiro ao tentar justificar a exoneração está completamente distanciado da verdade.
Não escrevi sobre o assunto apenas por um único motivo: a saúde de Abobreira é muito frágil. Qualquer aborrecimento o prejudica. Fiquei satisfeito quando ele decidiu desabafar ao Bahia Online. O editor do site, também ciente do seu estado, pediu três vezes autorização para publicar. Ao permitir, Abobreira tirou um peso do coração.
Diabético e crônico renal, em maio ele teve uma complicação séria no pé direito. O quadro preocupou toda a família e amigos. Viagens de urgência a Salvador foram necessárias para controlar a infecção. O angiologista Dejean Sampaio Amorim Filho, casado com uma prima minha, cuidou do ferimento. O fato do médico ser ligado à minha família foi uma simples coincidência, constatada em nossas conversas. Não fiz a indicação.
No dia 16 de maio, o repórter Thiago Dias (colaborador deste blog) me avisou pelo skype que o Diário Oficial de Ilhéus havia publicado a exoneração de Fred Abobreira. Pelo whatsaap avisei ao amigo que surpreso comunicou ao pai.
Até o dia 22 de maio, sexta-feira, data da entrega oficial da Praça São João Batista, não foi dada qualquer explicação aos interessados. Abobreira estava desolado pela falta de consideração e respeito. Chegou a me dizer que o interesse público deve estar acima das amizades, entretanto, por ser amigo e aliado político de Jabes Ribeiro, uma explicação era mais do que necessária. Na verdade deveria anteceder a exoneração.
Confesso ter ficado surpreso com a atitude do prefeito, pois sou testemunha: ele e a primeira-dama estiveram na casa de Abobreira várias vezes para jantar. O anfitrião fazia questão da minha presença e justificava: “Jabes é um homem educado, tem boa conversa. Jamais será grosso com você. Ele compreende o trabalho da imprensa. Venha Gusmão! Você vai gostar”.
Percebi que os dois tinham muitas afinidades. Abobreira sentiu-se honrado quando Jabes, em dezembro de 2012, o convidou para ser secretário de indústria e comércio. O prefeito o tratava com carinho e demonstrava sinceridade no afeto. Sentia-se tão bem que bebia cerveja à vontade, sem qualquer tipo de receio. Quando contava casos históricos dos bastidores da política, muitos desconhecidos da opinião pública, fazia questão de advertir: “Gusmão! Aqui tudo é off. Olha lá hein!”.
Esses jantares me ensinaram a respeitar Jabes como pessoa. Não deixei de criticá-lo como prefeito e por muitas vezes me perguntei: como um cara tão educado, polido e inteligente pode ser um prefeito tão ruim?
Abobreira foi muito fiel a Jabes. Em 2013, no auge da crise administrativa desencadeada pelos estudantes do “Reúne Ilhéus” e pela greve dos servidores municipais, durante um bate-papo falei: Senador, não consigo entender essa sua fidelidade a Jabes. Ele me respondeu: “Aprendi com meu pai (Eronildes Abobreira, militante socialista perseguido pelo regime militar) a ser fiel até o fim. Meu pai não abandonou Nerival Rosa Barros (prefeito cassado pelos militares em 1969). Não vou abandoná-lo nesse momento de extrema dificuldade”.
Após essa aula de lealdade, meu respeito pelo amigo e conselheiro cresceu ainda mais. Daí em diante, evitei fazer críticas a Jabes em sua presença.
Voltando ao dia 22 de maio de 2015, dia da reinauguração da Praça do Pontal, pela tarde Fred me disse que o pai estava há três dias sem dormir direito, triste por Jabes não ter lhe telefonado para explicar a exoneração. A cicatrização no pé direito havia regredido.
Indignado e com receio de que a saúde dele piorasse, mandei mensagens para o prefeito pelo WhatsApp. Leia.
Poucos minutos depois, Jabes ligou para Abobreira. Disse que Fred iria para a secretaria de desenvolvimento social. A secretária de educação, Marlucia Rocha, pediu o remanejamento, alegando que Fred faltou algumas vezes em momentos importantes. O prefeito disse que compreendia as ausências, justificadas por Fred ser acompanhante do pai nas diversas viagens a Salvador por motivos de saúde.
Até 00h12min dessa quarta-feira, 17 de junho, momento em que fechei esse artigo, o Diário Oficial não trazia a nomeação. Entrevistado pelo Jornal Bahia Online, Jabes disse que o mesmo caderno que publicou a exoneração, também trouxe a nomeação para a secretaria de desenvolvimento social.
Não é verdade. O Blog do Gusmão teve o cuidado de guardar a original divulgada no dia 14 de maio (veja e confira). Além do mais, o secretário de relações institucionais, Frederico Vesper, esteve duas vezes na casa de Abobreira nas últimas 48 horas. Suplicante, pediu que Fred reconsiderasse a decisão de não voltar ao governo, pediu desculpas pela “barbeiragem” atribuída a John Ribeiro e afirmou que a nomeação o encaixaria na Serin.
Sem êxito na tentativa de manter o aliado, o governo preparou uma nomeação às pressas – que não está no site do Diário Oficial – para ser apresentada ao jornalista Mauricio Maron. Enquanto isso, nas redes sociais, puxa-sacos de John Ribeiro, irmão de Jabes, espalham que Fred Abobreira não trabalhava, “só aparecia para receber o salário”.
A incapacidade do prefeito de falar a verdade e a máquina de injúrias do jabismo querem desmoralizar a família de um homem com sérios problemas de saúde, que faz hemodiálise três vezes por semana. Querem estigmatizar. Tentam justificar a exoneração com desonra.
Como se não bastasse a ingratidão, Jabes agora tenta se vitimizar, como se nada tivesse feito para merecer o rompimento e as críticas do ex-aliado.
Sinceramente e com desabafo, é lamentável constatar que nos meandros da pequena politica as relações atingem níveis tão rasteiros, abaixo do respeito e da humanidade. Jamais pensei que o ser humano pudesse descer tanto.










Respostas de 8
Jabes se perdeu!!!
Ele esta trocando os verdadeiros Jabistas, pelos Jabistas de oportunidades.
Aqueles que hoje estão ao seu lado colhendo os lucros do momento.
Amanhã estarão ao lado de quem vencer as eleições de 2016.
A Jabes só vai restar a solidão.
Gusmao,
seu relato é de muita honestidade e precisao, apesar de nao conhece-lo tao bem, me parece comprometido com a verdade e de apreciar uma amizade verdadeira.
Qual era a atividade exercida até então pelo exonerado ?
Talvez ele possa deixar claro as ausências e explicar os comentários dos demais funcionários a quem o nobre blogueiro denomina “puxa-sacos de John Ribeiro, irmão de Jabes”
abobreira não aprendeu à primeira lição, quando elegeu Jabes, sendo seu vice,pois o cacife politico à época era de Abobreira, e logo de imediato foi posto de escanteio, descartado, somente vindo à fazer ligações nesta nova campanha politica, do qual o dito JABOQUIO, precisa de pessoas ilibadas, afim de dar um verniz na velha e surrada lenga lenga.
Excelente! A matéria desnudou o combalido governo de cenas montadas onde o personagem principal é a sociedade que boquiaberta ver a influência canibalesca e impiedosa do irmão casula que tem seus tentáculos em todas secretarias do governo municipal… Parabéns ao Comunicólogo Gusmão por nos trazer informações importantes sobre as barbeiragens e trairagens do senhor prefeito. Pois sabemos que o senhor Abobreira não foi a primeira vitima nem será a ultima, sabedor da índole do Escorpião, deveriam manter distancia….
Compartilhando a opinião do amigo e vereador Alisson:
Alisson Ramos Mendonça
7 h ·
Fred Abobreira foi exonerado pq atrapalhava os planos da “turma”! Não conheço um Abobreira malandro. A merenda escolar enche barriga.
Gusmão, conheço Abobreira há muitos anos, fomos colegas na Secretaria da Fazenda, aprendi e aprendo muito com ele.Homem íntegro, sério, zeloso nas relações e excelente pai, também como pai, imagino a decepção sentida, mas tenho certeza, que ele como guerreiro de vários combates, saberá vencer mais este. E Fredinho, tão bom quanto ao pai, saberá dar a volta por cima, pois estas críticas infundadas, partem de pessoas sem escrúpulos e caráter.
Meu caro Gusmão. Eu sempre temi pela saúde frágil e pelo emocional vulnerável do bondoso cidadão Abobreira, perigosamente ao alcance do inflexível Jabes. Sempre achei que o Abobreira expunha-se em demasia para melhorar a imagem do Jabes enquanto se esforçava para trazê-la para a simpatia do povo. Sinto muito pelo “troco Jabes” configurado nesse impacto decepcionante aplicado contra nosso Abobreira. E o Fred, com a autoestima que sabemos, recusará o remendo ou curativo mesmo que venha a ser renomeado pelo feitor capitão-do-mato exonerador mor, para presidente da França! Recorrendo à história da humanidade, o Jabes nos faz relembrar aquele rapaz hebreu mui amigo que vendeu Jesus aos romanos por trinta moedas. Mas supostamente arrependido, cometeu suicídio enforcando-se. Seu aluno exemplar, o contemporâneo político baiano fugiu à tola ortodoxia clássica do sentimentalismo; além de não se arrepender do dolo sentimental, fez aplicar muito bem suas 30 moedas recapitalizadas em rendoso negócio no ramo político que lhe rende fortunas em dividendos todo mês. Está podre de rico! Literalmente podre.