BLOG DO GUSMÃO

NOSSO ZÉ: O COMENDADOR DA MÉMORIA

Prefeito Jabes Ribeiro entrega Comenda da Ordem do Mérito de São Jorge dos Ilhéus a José Rezende Mendonça. Imagem: Emílio Gusmão.
Prefeito Jabes Ribeiro entrega Comenda da Ordem do Mérito de São Jorge dos Ilhéus a José Rezende Mendonça. Imagem: Emílio Gusmão.

O prefeito Jabes Ribeiro (PP) entregou hoje (28) no Centro de Convenções a Comenda da Ordem do Mérito de São Jorge dos Ilhéus ao memorialista José Rezende Mendonça.

Comentário do Blog.

Essa homenagem no dia do aniversário de 481 anos de Ilhéus nos deixa muito satisfeitos, pois José Rezende é um comendador da memória dessa cidade. Com recursos próprios, custeia uma pesquisa incansável sobre a história e o território do município. No seu último livro (Pontal: entre o passado e o presente, 2014), intercala as trajetórias da sua família e do bairro Pontal com um acervo precioso de imagens garimpadas ao longo dos anos. Técnico agrícola da CEPLAC aposentado desde 1995, voltou a prestar seus serviços ao órgão federal quando atuou voluntariamente na elaboração de um estudo de planejamento agroecológico para Ilhéus.

Segundo a nossa modesta opinião, Zé Rezende representa muito mais para Ilhéus do que a Fundação Cultural, extinta e transformada em Secretaria de Cultura. Além disso, seu trabalho de pesquisa é sério, palpável e integrado às redes sociais, não está preso nos gabinetes da burocracia.

Atualizado às 17h47min.

Rezende escreveu um discurso para agradecer a homenagem, mas, segundo ele, os políticos “roubaram a cena” e não lhe restou tempo para proferi-lo. Clique em “leia mais” para ler.

“DISCURSO QUE SERIA DE AGRADECIMENTO PELA COMENDA DO MÉRITO DE SÃO JORGE DOS ILHÉUS

Excelentíssimo Vice Governador da Bahia, Dr. João Leão; Excelentíssimo prefeito de Ilhéus Dr. Jabes Ribeiro, demais autoridades presentes, homenageados, senhoras e senhores, eu quero chamar a atenção para várias dimensões dessa homenagem, e de forma muito breve. Peço a permissão para ler; e em especial aqueles que falam sem ensaiar, com uma desenvoltura que me falta. Eu preciso ter a disciplina de um texto, um roteiro; em momentos como este é preciso não esquecer detalhes, nomes, datas, e agradecimentos fundamentais.

O primeiro registro a fazer refere-se à minha alegria imensa de estar entre os homenageados, nesse grupo de dez, do qual tenho muito orgulho de participar, cujo conjunto nas lides do ensino e pesquisa na história de Ilhéus e em particular do meu querido PONTAL.

É como muita afeição a Prefeitura de Ilhéus, na pessoa do Sr. Jabes Ribeiro e a todos que indicaram meu nome, que recebo a Comenda do Mérito São Jorge dos Ilhéus. O recebimento de uma homenagem deste porte traz à lembrança fatos, pessoas e lugares; evoca sentimentos e afetos que me são caros, mas que o cotidiano encobre por conta das inúmeras responsabilidades que temos. Encobre, … mas não apaga! O sentimento e as lembranças continuam. Assim, como a esperança!

A cidade de Ilhéus é uma importante unidade do nosso estado e porque não dizer deste país. Para falar de uma terra, nada melhor do que tratar das pessoas que a formaram e que nela vivem. Um município é formado por distritos, lugarejos, vilas, povoados, bairros e paisagens, porém, adquire distinção por intermédio das pessoas que o criam! Uma terra que existe da construção… Dos legados! Das imagens e dos sentimentos! Nunca é demais lembrar que o seu maior ferrenho, que nunca negou ser filho de Ilhéus, mesmo aqui não nascendo, foi sem dúvida a inspiração de muitos pela escrita, para contar e divulgar esta cidade tão querida.

E é neste contexto que evoquei a história de dois meninos, JORGE o amado, e SÃO JORGE, o Santo Guerreiro, na verdade dois guerreiros, otimistas perseverantes, o Amado mais jovem, e o Guerreiro o mais velho. Sempre juntos nunca desistiram de suas metas, um sempre com sua caneta na orelha por onde ia, e registrando tudo em nome do seus livros, Terras do Sem Fim, Gabriela Cravo e Canela, e tantos outros; admirando a beleza do seu povo, da sua cidade, sempre o Amado Jorge. O outro no seu cavalo um verdadeiro soldado romano com sua espada e armadura contra os dragões do pessimismo, da inveja, entretanto nunca desistiram. Cresceram e se transformaram em grandes homens.

O SONHO é próprio de muitos. Pra mim sonho é algo abstrato, prefiro METAS, pois não há nenhuma realidade, sem que antes não se tenha planejado com elas.

Em 1969, na EMARC, começa a vontade de divulgar esta Ilhéus, e vem com maior afinco, a partir de 1972, já no CEPEC/CEPLAC com o desejo da pesquisa técnica/científica, e daí em diante o desejo maior, que aconteceu em 2007, 2009 e agora em 2014, com a publicação do livro: “Pontal Entre o Passado e o Presente”, onde desponta aí a nossa memória e a pesquisa falada.

A EMARC era um ícone de excelência escolar em agropecuária, e em tantas áreas de conhecimento. Ali aprendemos e ensinamos valores como competência e profissionalismo, mas também o compromisso com o Bem Comum. Foram mais de trinta anos de experiências, que tem muito a ver com este relacionamento virtuoso, que ás vezes se estabelece entre sociedade e a pesquisa. São raros e felizes os momentos onde se dá o encontro entre políticas públicas e colégio, entre o conhecimento e ação. Então, escrever e divulgar esta Ilhéus, foi um desses momentos, sinto-me particularmente orgulhoso de ter sido parte desta experiência.

Entendo como fundamental, todavia, estabelecer que esta homenagem tem alguns limites que cabe ressaltar. O primeiro deles tem a ver com o fato de que são dez os homenageados, mas com muita facilidade nós poderíamos transformar este número em cinquenta ou mais, se fossemos elencar todos os que foram essenciais com seus objetivos e que detenham o verdadeiro espírito público.

Rui Barbosa já dizia: “O saber não está na ciência alheia, que se absorve, mas, principalmente, nas ideias próprias, que se geram dos conhecimentos absorvidos, mediante a transmutação por que passam, no espírito que os assimila”.

Sou um homem realizado, por tudo que fiz na vida. E isso não se faz sozinho, então meus agradecimentos aos parentes, colegas e amigos, e dentre eles, em especial ao amigo Abobreira, e com muito amor e carinho a meus filhos: Jean, Josean e Josy. Meus netos: Jonnas, Isabelle, Enzo e Raphael. Minhas noras: Maria José e Liliane. Meu genro: Cláudio Henrique e de um modo mais especial, a minha esposa Eliana.

Finalizando, digo que hoje entendo a minha missão por Ilhéus, pois lembrei-me do meu saudoso neto JONNAS, que se vivo estivesse estaria com 23 anos, e tenho certeza que ele voltaria a me dizer: “vô, o senhor ainda não terminou a sua missão”. E quase plagiando a frase de Jorge Amado, digo: Foi aqui em Ilhéus aonde nasci, que tudo aconteceu, não foi em outro lugar. Meu muito obrigado.”

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Uma resposta

  1. Amigo Gusmão.
    Volto a repetir, você tem participação nisso, e meu grande amigo Abobreira, me fez pensar política de uma forma mais ampla. Aprendi e aprendo com ele como entrar e sai dela, de cabeça erguida. Mas, nem por isso vou me filiar a nenhum partido e muito menos ser candidato a nada. Nada contra, pois a politica faz parte em tudo e em todo mundo, apenas nunca foi e nunca será uma meta minha. Cada “Macaco e seu galho”. Continuarei sendo um cidadão que de forma construtiva, farei a minha parte, pois faço parte do contexto, e nela vivo.
    Obrigado mais uma vez amigos GUSMÃO e THIAGO.

    Rezende

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