Por José Henrique Abobreira/Coluna Folclore Político
Nas minhas andanças políticas de trabalho no campo, organizando a teia associativista dos trabalhadores sem terra e comunidades tradicionais na extensa zona rural de Ilhéus, ter trabalhado e privado da amizade que estabeleci com os irmãos Pedro e Alexandre Brás, pequenos produtores rurais de Sapucaeira, foi uma das coisas marcantes na minha vida. Fui levado a eles pelas mãos do religioso Amário Santana, padre de Olivença à época, junto com D. Nivalda e Cláudio Magalhães, lideranças tupinambás de Olivença. Essa minha visita à residência de Pedro Brás e à toda a área de influência da aldeia tupinambá de Sapucaeira se repetiria ao longo dos meus quatro anos de mandato de vice-prefeito de Ilhéus.
Nessa casa de Pedro, casado com a índia Domingas e pai da professora do colégio indígena Pedrísia, onde frequentei as reuniões de organização do pessoal da área (de lá resultou a primeira feira de pequenos produtores da agricultura familiar de Ilhéus, inicialmente em Olivença, depois na central de abastecimento do Hernani Sá) residiu, temporariamente, a antropóloga Suzana Viegas, autora dos trabalhos de campo necessários ao laudo para a demarcação do território indígena dos Tupinambá de Olivença.
Pedro e Alexandre Brás eram irmãos de sangue, mas, tinham temperamentos e comportamentos opostos com relação a quase tudo.
Pedro era alto, desempenado, comedido e caladão, mas exercia uma liderança entre o povo das cercanias, e dava consequência às etapas da luta de organização da produção no campo.
Alexandre, baixinho, falastrão, tirado a namorador- risos, do alto dos seus mais de oitenta anos, esbanjava o otimismo inconsequente de um jovem. Quando mencionei a luta para instalar energia elétrica na aldeia de Sapucaeira e arredores, seus olhos brilharam como um farol. Sua voz trêmula exclamou:
– Que bom! Agora vou poder instalar a minha moagem de cana eletrificada e fabricar a minha destilada para vender na cidade!
Saiu a espalhar a boa nova, mas lhe expliquei que era necessária primeiramente a organização do movimento. Ele não dava bolas, achava que as coisas viriam de qualquer forma.










