
O professor de comunicação Wilson Gomes (UFBA) usou hoje (15) as redes sociais para comentar a edição dessa terça-feira (14) do Jornal Nacional.
Ontem, o JN noticiou que o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki anulou a validade de um diálogo gravado entre a presidente afastada Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. O material não poderá ser usado como prova porque foi obtido e divulgado de forma ilícita. Segundo Gomes, ao invés de esclarecer de forma detalhada a nova notícia (sobre a anulação), o telejornal decidiu reproduzir o diálogo na edição de terça, sem qualquer justificativa jornalística.

O professor, um estudioso das relações entre política e comunicação, lembrou um jargão jurídico para classificar o poder enunciativo da TV Globo e, ao mesmo tempo, o desprezo diante das boas práticas jornalísticas: “Globo locuta, causa finita est”.
Em tradução livre, se a Globo diz, caso encerrado, sua palavra é a lei. Por isso, Gomes chamou o JN de “principal Corte Constitucional” do Brasil. Leia a íntegra.
Por Wilson Gomes
Globo locuta, causa finita est
Parem tudo! Vamos ver se eu entendi direito. Um juiz da mais alta corte judicial do país considerou que a peça X – no caso, uma gravação de conversa entre Lula e Dilma Rousseff – não podia compor o processo contra o ex-presidente promovido por um juiz federal. Uma empresa de telejornalismo havia se beneficiado com a farta divulgação desta gravação na ocasião. Gravação que, aliás, foi indevidamente divulgada segundo juízo do mesmo magistrado da corte suprema. Além disso, próprio juiz federal, de cujo círculo foi convenientemente vazado para a empresa de jornalismo o famigerado arquivo de áudio, lavrou um veemente pedido de desculpas à corte pelo mau juízo por ele formulado, quando admitiu o áudio em questão, obtido ilegalmente, e pretendeu usá-lo como prova.
Pois bem, meses depois, o juiz do STF, determinou que o áudio deveria se retirado dos autos, num cristalino juízo de que: a) o juiz federal exorbitou ao incluir no processo (sem mencionar o fato de ter registrado e divulgado) a gravação de uma conversa da presidente da República; b) o arquivo viola o Direito e viola direitos.
O que se esperaria que fizesse o bom jornalismo? Em face do que decidiu, enfim, o juiz do Supremo, a empresa que investiu dias na mais ampla divulgação do referido áudio, e que o usou como peça-chave de uma processo mediático no qual distribuiu condenações e condenou reputações, deveria: a) implicar-se no processo (“ops! foi mal. Nos precipitamos ao usar um vídeo fora-da-lei, a nossas escusas aos ofendidos e humilhados”); b) deixar claro para o seu público o conjunto de razões pelas quais o tal áudio não pode mais ser considerado pela audiência para o seu próprio trabalho de juízo e opinião política.
O que faz, entretanto, o telejornalismo da Globo? REAPRESENTA o áudio que o juiz mandou excluir. Isso mesmo. “Gente, temos aqui um áudio fora-da-lei que um juiz mandou desconsiderar. Nós não só não vamos desconsiderar, como vamos passá-lo uma vez mais em todas as edições dos nossos telejornais, só para vocês curtirem mais um pouquinho”. Razões jornalísticas para isso? Nenhuma. A pinimba do telejornalismo da Globo contra Lula não é da ordem do Jornalismo, mas da órbita da Psicologia. E a reexibição do áudio que o ministro do STF mandou retirar dos autos prova que o tribunal dos telejornais da Globo é que, de fato, é a Suprema Corte do país. Processa, julga e condena com o material que quer e segundo as regras que desejar. O STF manda lá nas quengas dele, quem decide o que é prova e o que se prova por meio delas é o Jornal Nacional, a nossa principal Corte Constitucional. Só depois que os telejornais da Globo se pronunciam é que a questão se encerra.
Que coisa! Em sua particular sanha contra Lula, quando você pensa que já viu tudo, o telejornalismo da Globo vai e desce mais uns degraus. Pobre jornalismo, pobre democracia.











Uma resposta
Outra vergonha nacional! Vir defender, que escutas telefônicas não devem ser divulgadas e ou usadas contra um elemento que enganou toda uma geração de brasileiros, com mentiras “nunca antes” vistas, com tanta malandragem, corrupção generalizada,péssimos gestores e usando sempre o argumento de que nada sabia. Desenvolvidas e propagadas por outros tantos malandros, é no minimo um absurdo. Primeiro precisamos ver Lulla e Dilma presos, então poderemos julgar os outros, que foram pelo mesmo caminho dos chefes do PT, que por um projeto de perpetuação no poder, deixaram de fiscalizar e zelar pelo Brasil.