BLOG DO GUSMÃO

MADRE SUPERIORA E DOM MAURO FALAM SOBRE O CENTENÁRIO DA PIEDADE

Capela da Piedade.
Capela da Piedade.

A presença centenária do Instituto Nossa Senhora da Piedade em Ilhéus é material, simbólica e estética. Chamamos de Alto da Piedade a região que acolhe o prédio histórico. A rua diante dele leva o nome da irmã francesa Madre Thaís, ursulina que fundou o colégio religioso no dia 15 de setembro de 1916. Muitas famílias ilheenses ainda batizam suas filhas com o nome da madre para homenagear a mulher que deu início à história de umas das instituições mais tradicionais da cidade.

Os autores do livro Patrimônio histórico em Ilhéus identificam o estilo arquitetônico da Piedade como neogótico. A capela é uma construção admirável e fica especialmente mais bonita com a iluminação artificial que ganha à noite.

Quando chegamos a missa celebrada pelo Bispo Dom Mauro Montagnolli já havia começado. Enquanto parte dos adolescentes mantinha sua indiferença habitual, crianças corriam e brincavam também alheias à missa. Os ex-alunos, por outro lado, vivenciavam o momento com entusiasmo. Esse sentimento também era visível entre as irmãs ursulinas. Os irmãos gêmeos Gabriele e Raffaele, alunos do colégio, emocionaram os presentes com uma apresentação musical impecável.

Dom Mauro. Imagem: Paulo Costa/Diocese de Ilhéus.
Dom Mauro. Imagem: Paulo Costa/Diocese de Ilhéus.

Depois do ato, com o auxílio do assessor de comunicação da Diocese, Paulo Costa, encontramos o bispo Dom Mauro Montagnolli, que exaltou a importância da Piedade. “Ilhéus é abençoada por isso”, disse ao blog.

Dom Mauro lembrou o significado da decisão da Madre Thaís quando deixou de fundar a escola no interior de São Paulo e optou pelo sul da Bahia. “Segundo a história, dois bispos escreveram para a congregação da França pedindo irmãs, um de Botucatu e outro daqui de Ilhéus”.

A Madre Thaís, refletiu Dom Mauro, poderia ter escolhido Botucatu, onde o bispo local já tinha “tudo pronto, escola e casa”. Mas a religiosa escolheu Ilhéus, mesmo sem as condições oferecidas pelo bispado da cidade paulista, porque “é preciso cavar o poço onde não há água”.

Quem convidou Madre Thaís foi Dom Manuel Antônio de Paiva, o primeiro Bispo da Diocese de Ilhéus. Ele também sensibilizou o coronel José das Neves a doar o terreno onde o colégio foi erguido.

Segundo a pesquisadora Ivoneide Almeida da Silva, autora de artigo sobre a educação na Piedade, o Bispo exerceu importante papel na arrecadação de doações dos coronéis do cacau que ajudaram a construir primeiro a escola e depois a capela. As irmãs ursulinas, assim como ex-alunas, também desempenharam papel histórico na consolidação do instituto.

“Os apelos feitos à sociedade ilheense para que fossem realizadas doações para a construção das obras do colégio eram muitos e sucessivos. Envolviam completamente as alunas, pois a beneficência e a filantropia eram elementos absolutamente presentes na educação feminina”, afirma Ivoneide Almeida. De acordo com a pesquisadora, a benevolência religiosa era uma das poucas brechas sociais que permitiam às mulheres exercer influência no espaço público. A escola foi frequentada exclusivamente por meninas entre 1916 e 1971.

Paulo Costa também nos levou até a Madre Superiora do Instituto Nossa Senhora da Piedade, a Irmã Cintia. Quando perguntamos sobre o seu papel na escola e a importância da ocasião, ela pediu o celular que usamos para gravar seu depoimento e se posicionou diante da imagem da santa que dá nome à instituição.

Madre Superiora diante da imagem de Nossa Senhora da Piedade. Imagens: Thiago Dias/Blog do Gusmão.
Madre Superiora diante da imagem de Nossa Senhora da Piedade. Imagens: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

As palavras da Irmã Cintia soaram como uma prece. “Diante da imagem de Nossa Senhora da Piedade, quero dizer que nesse momento fui chamada para a missão de ser a Madre Superiora, respondendo pela comunidade e sua obra. Para mim, essa obra é muito tocante e importante porque é uma missão religiosa, mas também é voltada para o social. Nós temos a missão de evangelizar por meio da educação e de olhar para as pessoas que necessitam da nossa ajuda, independentemente da situação social, econômica ou de outras questões. Essa é uma obra aberta para acolher as pessoas e para formar integralmente cada pessoa, a fim de que ela possa ser uma verdadeira cidadã e, como uma pessoa de formação também religiosa, se colocar também a serviço de todos, especialmente daqueles que mais necessitam. Estou me sentindo honrada de poder participar dessa festa centenária e de dizer com muito orgulho que faço parte dessa família. Essa família é minha, é nossa, e por isso é nossa também a responsabilidade de preservá-la e expandi-la na história por mais cem ou tantos anos quanto o senhor nos colocar pela frente”.

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