BLOG DO GUSMÃO

FERNANDO FRANCO, O GUERREIRO GRAPIÚNA DA REFORMA AGRÁRIA

Fernando Franco. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.
Fernando Franco. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Por José Henrique Abobreira

abobreira artigoNa semana passada, por complicações de saúde, faleceu Fernando Franco, companheiro de lutas e militante ativo do MLT (Movimento de Luta pela Terra). Era ligado ao PC do B  e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ilhéus.

Resolvi traçar essas linhas em homenagem ao amigo que se foi e que, durante a minha passagem como secretário de desenvolvimento econômico, ombreou esforços junto comigo e equipe no encaminhamento de soluções para a questão agrária em Ilhéus.

Meu contato inicial com Fernando e seu grupo, que lutava nas ocupações de terras improdutivas, deu-se no início da década de 1990, quando exerci mandato de vereador pelo PT. Ajudei a intermediar, junto ao prefeito Antônio Olímpio, negociação para alojar provisoriamente às margens do rio Cachoeira o pessoal que tinha desocupado fazenda próxima, devido ao mandado judicial de reintegração de posse e à violência policial contra os posseiros.

Na mesma época, participamos da primeira imissão de posse de uma propriedade rural na região cacaueira para efeitos de reforma agrária: a fazenda Aliança, em Arataca, hoje o Assentamento Terra à Vista, modelo de produção agroecológica familiar em terras grapiúnas.

O relacionamento amiudou-se pouco tempo depois, quando, já como vice-prefeito de Ilhéus e titular da área econômica rural e urbana, o Fernandinho foi um dos primeiros militantes dos sem terras a procurar a secretaria para discutir os problemas que afligiam o movimento da reforma agrária na região. Em especial, demandou pedido de ajuda para a consolidação do Assentamento Fábio Henrique, no Repartimento, onde estava assentado com pessoas que viriam a ser meus amigos devido às constantes visitas que fiz ao local.

Aprofundamos parceria profícua entre a municipalidade e os posseiros sem terras. A ocupação havia sido legalizada e se fazia necessária intervenção na infraestrutura do assentamento. Várias famílias trabalhavam e viviam precariamente ali, instaladas em barracas de lona plástica.

Fiz vários amigos nessa visitas, como: Tonha, Isabel, Val e tantos outros líderes. Eles me contavam a luta titânica que travaram por aquelas terras. Fernando contava que durante uma reintegração de posse foi salvo por Tonha. Com um golpe, ela desviou a arma de um jagunço que estava prestes a atirar na cabeça do companheiro.

Equacionamos a necessidade imediata trabalhando num projeto inicial de combate à vassoura de bruxa e de recuperação dos cacauais. Doamos facões, botas, foices e estabelecemos parcerias com órgãos de suporte ao desenvolvimento, como: EBDA, CEPLAC, BANCO DO NORDESTE, INCRA e a CAR, que liberou financiamento para a construção de agrovilas, ligação elétrica, construção de uma escola modelo para os filhos dos assentados, de um pontilhão e ramal de acesso à área de produção agrícola.

A contrapartida era a mão de obra dos próprios assentados. A nossa secretaria entrava com aportes de máquinas, tratores e o pagamento de especialistas (carpinteiros e engenheiros, por exemplo).

Para nossa felicidade, e depois de muito trabalho, de um cenário de muito abandono e sofrimento, brotou um assentamento que se tornou modelo na zona rural de Ilhéus. No dia da inauguração das novas obras de infraestrutura, estivemos lá com o prefeito Jabes Ribeiro e hasteamos a bandeira do MLT. Na ocasião, cantamos o hino oficial do movimento. Foi uma festa de arromba. Com enorme alegria, constatamos a qualidade da escola em que os meninos e as meninas estudariam, além das casas da vila, dignas para uma moradia decente daqueles que ali mourejavam.

Fernando tornou-se um parceiro frequente, um entusiasta do trabalho da secretaria. Comparecia a todos os dias de campo que promovíamos, seminários sobre desenvolvimento rural, viagens para visitar novos projetos em outras regiões, além de oferecer frequentes depoimentos valiosos nos eventos sobre a necessidade de organização popular para alcançar as soluções necessárias para beneficiar o homem do campo. Nascia ali uma amizade forte e de admiração mútua.

Finalizando, manifesto aqui um desejo e deixo um pedido aos vereadores do PC do B, Nerival e Dr. .Jó, para que apresentem projeto de concessão de título de cidadão ilheense (in memoriam) ao grande lutador Fernando Franco. Ele nasceu em Itabuna, mas levou grande parte de sua vida em Ilhéus. Fernando era primo do suplente de deputado federal Davidson Magalhães (PC do B) e de Adryana Ribeiro, atual primeira-dama de Ilhéus.

José Henrique Abobreira é servidor aposentado da Fazenda Estadual e colunista do Blog do Gusmão. Foi vice-prefeito e vereador de Ilhéus.

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Respostas de 4

  1. Realmente perdemos um grande homem um grande lider um grande amigo, pai avo, enfim um ser humano nota mil que Deus o tenha en sua gloria. Saudades eterna.

  2. verdade perdemos uma grade figura do movimento do MLT da nossa região, uma lida homenagem a uma pessoa que lutou ativamente pelo bem esta das pessoas que vive no campo, vai com Deus meu Amigo Fernando .

  3. Bom dia companheiro Abobreira sou a unica irma de fernando franco nao podia deixa de te agradecer em meu nome a homenagem que fez por aquele querreiro muito linda sei que ele estara presente sempre em nossos coracoes que deus abencoe sempre a pessoa ilustre que e o senhor muito obrigado de todo meu coracao um grande abraco
    Aninha Franco

  4. Justa e oportuna homenagem nesse momento de ameaças aos direitos dos trabalhadores, pois Fernando foi um dos soldados na conquista da cidadania e democracia em nossa região.

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