Por Caio Pinheiro
No momento em que começaram a ser orquestradas as ações políticas, jurídicas e midiáticas para derrubar o governo Dilma, muitos analistas políticos independentes, bem como cidadãos mais esclarecidos, denunciaram os inconvenientes de se atropelar nosso Estado Democrático de Direito em favor de conveniências políticas.
Utilizando um discurso de personalização da crise, parte do mundo político e midiático conseguiu mascarar o caráter conjuntural de nosso estado recessivo, já que a crise foi apresentada à sociedade como o resultado da inoperância de uma presidenta incompetente, incapaz de estruturar um plano de ação, no mínimo exequível, para salvar o país do colapso econômico-financeiro que se avizinhava.
Nesse sentido, propositalmente, ocultou-se a não existência de hiatos no sistema econômico mundial; por isso, o Brasil jamais estaria imune às oscilações decorrentes do nível de conectividade e interdependência do sistema capitalista. Essa tese é atestada quando se verifica o impacto negativo em nossa balança comercial da redução no volume de exportações das principais commodities brasileiras, absorvidas em grande parte pelo mercado Chinês.
Entretanto, evidenciar o caráter conjuntural da crise não implica santificar ou vitimizar em absoluto a gestão Dilma. É preciso encarar que a recessão também (não só) foi provocada pelos equívocos na política econômica do segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, produzindo efeitos nefastos tanto no setor privado quanto na área pública.
Com efeito, para além das contingências macroeconômicas – manipuladas para justificar o afastamento de uma presidenta eleita por 54 milhões de brasileiros -, devemos olhar atenciosamente para a arquitetura política do impeachment, visto que é sempre possível buscar análises mais detalhadas e profundas, especialmente quando se trata de um evento traumático para a vida democrática do país e que evidencia os limites do nosso presidencialismo de coalizão.











Respostas de 2
Caro Emílio,
Desculpe-me a crítica, mas o artigo acima postado se trata de mais um panfleto cujo conteúdo está repleto de desonestidade intelectual exposta através de uma linguagem rebuscada, talvez como a requerer reconhecimento acadêmico e inquestionável para o seu autor.
É preciso que se decida pelos termos “arquitetura política do impeachment” ou “causas do Golpe Parlamentar”, antagônicos ao que parece quanto ao significado legal.
Faz-se necessário, com urgência, que também se reconheça: por 13 anos o partido que elegeu a presidente apeada do poder, diga-se em um longo processo no qual se permitiu ampla defesa diante do Congresso Nacional,exercitou sem inocência ou qualquer reserva de cerimônia o tal “presidencialismo de coalizão”, obtendo vitórias sucessivas por meio de negociatas como nunca antes visto na história “destepaís”.
Quanto a atribuir a Eduardo Cunha o boicote às “medidas de enfrentamento da crise propostas por Dilma, as quais, caso tivessem sido implementadas, certamente teriam minguado sobremaneira nossa estagnação econômica atual” é de um dogmatismo militante primário.
Pois é, em nome desse dogma, insiste-se em não perceber que as aporias do paradigma de gestão do país, de 2002 a 2015, começaram a se expor cada vez com mais frequência em episódios como o “mensalão”, na revolta contra os partidos políticos (notadamente renegando as bandeiras vermelhas) nas manifestações populares de 2013, no estelionato eleitoral contido na propaganda da campanha de reeleição da presidente no final de 2014, no “rombo” das finanças da Petrobras e, por fim, na “Operação Lava-Jato”, que mandou para a cadeia as principais lideranças do partido então no poder. Até hoje, os que à época governavam o país e se viram apeados do comando da nação não se permitiram uma autocrítica honesta à respeito desses acontecimentos, preferindo atribuir à mídia e a orquestrações políticas e econômicas o seu insucesso. O resultado da falta de autocrítica todo mundo viu nas mais recentes eleições para prefeitos e vereadores nos mais diversos municípios do Brasil…
Portanto, por esses e outros pequenos detalhes presentes e ausentes no texto do historiador em questão, reitero que embora o artigo contenha uma gramática refinada, não esconde o seu conteúdo panfletário, o seu agir militante e a sua crença dogmática transvestidos numa proposta pseudo-científica, onde grassam paixão e parcialidade.
Att,
Dirceu Góes – Jornalista – 967-DRT-Ba
Primeiramente: Fora Temer!!!
Não sou petista, aliás, Dilma não foi minha opção nas últimas eleições, ao menos no primeiro turno; porém, ao que parece o PT virou bode expiatório para toda e qualquer desgraça política-econômica que se abate no país, nos três níveis da federação, não que haja culpa em vários procedimentos administrativos e políticos, mas há de se ressaltar que existem outros que também mereciam receber a mesma carga de culpa imposta apenas ao PT.
A exemplo, temos uma das desculpas do então prefeito Jabes, que justifica seu fracasso enquanto gestor do município de Ilhéus como sendo culpa dos “ventos da mudança”. A impressão que dá é a de que, a partir de agora, tudo que der errado será culpa de tais “ventos”.