
Casé Angatu, professor da UESC, publicou no Facebook texto em que lembra dos seus diálogos com Luis Carlos Ruas, mais conhecido como Índio. Antes de morar em Ilhéus, Casé viveu na cidade de São Paulo, onde Luis Carlos foi assassinado no domingo de Natal.
Edvaldo da Silva, que é homossexual, conta que dois jovens se aproximaram dele e, sem motivo algum, começaram a lhe bater. Nesse momento, Luis Carlos tentou defendê-lo. Raíssa, uma travesti, também ajudou a vítima da agressão.
Os agressores então passaram a perseguir os três. Edvaldo e Raíssa conseguiram fugir. Índio foi espancado covardemente e morreu no hospital.
O episódio bárbaro aconteceu numa estação de metrô onde Índio trabalhava como vendedor ambulante há mais de vinte anos.
O repórter Alberto Gaspar, da TV Globo, disse que a polícia já identificou os autores da agressão. Segundo ele, seriam dois primos: Alípio Rogério Belo dos Santos e Ricardo Nascimento Martins. A Justiça expediu mandado de prisão. Eles são considerados foragidos.
Os assassinos pareciam uniformizados. Ambos vestiam camisas pretas e bermudas brancas. Pode ser uma coincidência. De toda forma, tanto a atitude quanto a suposta uniformização do vestuário remetem aos modos da juventude hitlerista.
No ensaio O homem revoltado (1950), o filósofo Albert Camus argumenta que a história da cultura não traça um percurso linear no tempo e não é possível garantir que as sociedades humanas caminham de forma determinante para o progresso. Essa visão positivista e até marxista foi superada. Nada nos garante um futuro redentor. A eleição democrática de um Trump e a barbárie natalina atestam a sentença do franco-argelino.
Leia o texto de Casé Angatu.
O “ÍNDIO” DO METRÔ DON PEDRO ENCANTOU!
Singela homenagem a quem causava muito bem
Por Casé Angatu
Conheci o Índio, vendedor ambulante, na Estação do Metrô Pedro II no final dos anos 90 quando lecionava na UNIABC em São Caetano do Sul. Na volta quase sempre passava pela barraquinha dele. Depois que deixei de trabalhar em São Caetano e ia andando do Tatuapé até a UNIFMU na liberdade para lecionar, por vezes, também dava uma passadinha por lá.
“Seu Índio” ou apenas “Índio” era uma figura única em sua simpatia … gente pra lá de boa. Generoso permitia que pagássemos depois quando não tínhamos dinheiro.
Puxando pela memória, um dia ele disse, me chamando também de Índio:
– Ô, Índio sabia que meu apelido é Índio?
Então perguntei:
– Você é Índio de onde?
Ele respondia, sempre sorrindo com aquela cara de gente boa:
– Sou lá do norte do Paraná (sempre entendia como Pará), mas não sei se sou Índio mesmo. Mesmo assim todo mundo me chama de Índio desde novo.
E dava risada.
Dizia eu:
– O senhor gosta de ser chamado de Índio?











Respostas de 3
LINDA HOMENAGEM ! INFELIZMENTE AINDA EXISTEM PESSOAS COM TAMANHO ODIO NO CORAÇÃO, ONDE MATAM GENTE QUE DEFENDE SEU SEMELHANTE ! VAI NA PAZ SR INDIO !
Ainda existem pessoas com sensibilidade neste mundo! Parabéns ao vivente e ao que fez a passagem por serem pessoas de tamanha grandeza.
Índio, que Deus tenha misericórdia de seus algozes.