Por Wilson Gomes/publicado no Facebook
Todo dia eu acordo me considerando uma pessoa de esquerda. Afinal, eu acredito que a igualdade política deve ser usada para produzir mais igualdade social e o meu mestre Bobbio disse que é isso que faz um sujeito ser de esquerda.
Aí, dou uma passadinha no Facebook e a minha certeza desaparece. Logo tropeço em um que expressa a sua convicção de que a fazenda pública é provida, indefinidamente, por duendes do bem e de que só a maldade dos políticos (a “falta de vontade política”) impede que os governos nos deem tudo de que precisemos. Me assusto. Para ser de esquerda é necessário ser tolo? E ser um ultraestatista que acredita em um Estado Mamãe, é preciso?
Ontem mesmo havia legiões de esquerdistas aqui comemorando terem entregue às universidades privadas o monopólio dos cursos lato sensu pagos. Ouvi champanhes estourando nos caça-níqueis Brasil afora. Devem ser os mesmos que ocuparam universidades e impediram que elas funcionassem para impedir que Temer impedisse que as universidades funcionassem. Ouvi champanhes estourando no MEC.
Me desculpe aí, Bobbio, mas se isso for a esquerda não é à toa que a direita cresce tão rapidamente no Brasil. Para ser de esquerda é mesmo necessário ser estúpido? Como não sou dado ao suicídio, muito menos ao suicídio intelectual, vai ver, sou de direita. Ou é essa esquerda bobinha que é mais bobinha do que realmente de esquerda. Não sei. Estou meio confuso aqui.
Wilson Gomes é professor da Faculdade de Comunicação da UFBA.









Uma resposta
Sim, Wilson Gomes, para ser de esquerda é mesmo necessário ser estúpido. E se voce ainda nao havia se apercebido disto, esquerdismo/estupidez seu/sua.