
Por José Henrique Abobreira.
Tia Alice – assim a chamávamos -, proprietária de uma pequena venda instalada na antiga rua do Mata Calado, nos contava que tinha vindo dos lados da cidade de Alagoinhas. Ainda no início da década de 1960, trabalhava com a família como pequena agricultora na zona rural daquela cidade situada no nordeste da Bahia. Fugira das dificuldades da vida no campo, o trabalho na enxada de sol a sol, plantando alimentos de subsistência e lutando contra a inclemência climática. Viera tentar a sorte em Ilhéus, cidade maior e de economia pujante, repleta de oportunidades para quem se dispusesse a trabalhar e levar uma vida mais tranquila. A fama do cacau e das suas riquezas chegara até os rincões onde dona Alice mourejava a terra inóspita. Trouxe consigo o sobrinho Zé Fernandes, ainda moço, que a ajudou a fundar o pequeno estabelecimento comercial, e a auxiliava no balcão da venda, tipo de comércio bem comum no bairro do Pontal naquela época. Na sua vizinhança, mourejavam naquele ramo os vendeiros Antonio Faislon e seu irmão Amaro, Milton Farias, Pedro Dobre, dona Cassi e seo Pereira.
Ali começou o nosso conhecimento familiar. Morávamos naquela mesma rua, comprávamos na venda de dona Alice. Zé logo formou uma amizade sólida com o meu pai, Eronildes Abobreira.
Zé Fernandes, moço ativo, inteligente, jeitoso e muito educado no relacionamento com as pessoas, tinha uma visão arrojada e futurista. Logo percebeu que, para avançar na cidade grande, precisaria, primeiro, de um trabalho regular, além de estudar com afinco e ser guindado ao lugar merecido na escala social, trabalhador esforçado que era.
Antenado, fez um curso para atuar no comércio. Fez também boas amizades, com um grande círculo de amigos. Não demorou a conquistar um emprego na Telesul, primeira companhia telefônica da região. Convidado pelo senhor Elias Mattos, chefe da companhia, logo se destacou na excelência no atendimento e arrojo no trabalho.









Respostas de 4
TANTA GENTE JÁ PASSOU NO LEGISLATIVO DE ILHÉUS E ATÉ HOJE ILHÉUS NAS MESMAS.
NILZA RAMOS
Feliz e emocionada ao ver a história do meu tio avô contada em detalhes, até os que não tinha conhecimento, um homem guerreiro que deixa muita saudade.
Linda a história de meu tio, irmão de meu pai Domingos. Sinto saudades, sempre que podia ele nos visitava em Cardeal da Silva, litoral norte baiano. Meu tio era admirado e amado por toda família.
Boa noite, depois de tanto tempo hoje tive o prazer e a honra de ler essas palavras escritas sobre meu pai, fico feliz em saber e conhecer pelo convivio o homem, pai, profissional dedicado, e que ser humano não tenho palavras para descrever o quão feliz e emocionado fiquei lendo esse texto esplendido sobre a historia de vida de meu pai. Muito obrigado Henrique Abobreira pela homenagem, abraços.