Um breve ensaio sobre os medos
Por Mohammad Jamal.
No livro, Virginia acorda de mau humor, sentindo-se triste e “indócil como um lobo” (p. 2); a irmã, Vanessa, faz de tudo para alegrá-la, sem sucesso, até que tem uma ideia: dar vida ao desejo de Virginia de ter um lugar perfeito para onde voar quando tudo parece ruim e sombrio. Entra em cena, assim, o poder da arte e o da imaginação criativa, capazes de amenizar a tristeza e ajudar no enfrentamento dos humores e sentimentos mais difíceis. A história de Kyo Maclear possui diferentes camadas de significado, que podem ser lidas de modo independente, mas que se complementam, contribuindo para a compreensão geral, sobretudo do medo atávico.
Falar sobre medo é algo muito complexo e paradoxal, tendo em vista as singularidades do ser humano e as infinidades de fatores psicológicos capazes de desencadeá-lo. Medo de dirigir, medo de morrer, medo de baratas, medo de assombração, medo de envelhecer, medo de não se reeleger ou de ser investigado pela PF, medo da opinião pública, da imprensa, etc. São tantos que elencá-los seria impossível.
Além do sofrimento psíquico vivenciado pelo indivíduo fóbico, junto com o medo e a fobia, vem o sofrimento físico, as reações orgânicas e fisiológicas alteradas por conta de um estado de forte emoção e angústia. Gastrites, diarreias, alopecia, perda da libido, distúrbios do humor, alterações oníricas, pesadelos vívidos.








