O semeador de ódio

Por Julio Gomes.

Com a campanha eleitoral para a Presidência da República ocorrida em 2018, na qual se elegeu o então candidato Jair Bolsonaro, tornou-se muito mais visível a sistemática e desumana conduta de enaltecer e espalhar o ódio, nas mais diversas formas, locais e grupos, que foi usada como estratégia para obtenção da vitória pelo candidato e pelo grupo que o apoiou naquele pleito.

Ódio contra mulheres. Ódio contra pessoas de esquerda. Ódio contra gays e lésbicas. Ódio contra indígenas. Ódio contra pobres. Ódio contra negros. Ódio contra analfabetos. Ódio contra nordestinos. A tempestade de ódio parece não ter fim, nem limites.

Para os que esperavam que a razão, ou ao menos a dissimulação, trouxessem um ambiente de paz após a campanha e a posse do atual Presidente, a realidade mostrou-se de forma oposta: na Presidência, as manifestações mais abjetas e vulgares continuaram sem tréguas, apesar do enorme esforço de assessores e grupos palacianos para filtrar ou minorar os efeitos das loucuras do atual mandatário maior de nosso hoje tão malfadado país.

A torrente irrefreável de ódio, aliada a despreparo e irresponsabilidade, propiciou a falta de governabilidade que se transforma, cada vez mais, em crise e instabilidade política gravíssima, com efeitos econômicos e políticos dentro e fora do Brasil, já que assistimos à deterioração das relações políticas e econômicas do Brasil com relação a outros países e órgãos ou instituições políticas internacionais, como vem ocorrendo com relação à China, ao Chile, ao Paraguai, à França, aos países árabes e ao Acordo de Paris, todos sob feroz ataque da verborragia inconsequente do atual Presidente.

O clima de intolerância, maus sentimentos, maus desejos e de ânsia para que algo de ruim aconteça ao outro contaminou até mesmo nossas relações familiares, nossas amizades de infância e nossas relações de trabalho. Hoje apenas toleramos uns aos outros. Os bolsonaristas fazem enorme esforço para nos tolerar, pois muitos dos mais entusiasmados gostariam de nos ver torturados nos paus de arara da ditadura instaurada em 1964, e depois desaparecidos ou enterrados como indigentes, já que nos consideram inimigos do Brasil. E as pessoas do campo democrático e de esquerda, quando não nutrem sentimento semelhante de ver trucidados seus atuais antagonistas, ou se perdem na depressão ou se encastelam na cordialidade estritamente necessária para que uma convivência mínima seja possível.

O ódio, como se vê, não produz somente prejuízo institucional e econômico. Ele também envenena as relações pessoais, mesmo as mais íntimas ou as que deveriam ser mais formais e respeitosas, acanalhando a vida e o dia a dia de quase todos nós.

O Brasil optou pela intolerância, pelo ódio, pela insensatez, pela grosseria e pela estupidez, entre outros adjetivos de tão triste significado. E o fez de forma institucional, elegendo um excelente representante de tudo isto.

Espero que encontremos uma saída disto tudo, talvez não tanto pelo Brasil, que parece perdido ou acabado, mas por nós mesmos, para que possamos sobreviver e deixar para trás esta triste página de nossa história que hoje vivenciamos, e voltar a ser pelo menos amigos, colegas de trabalho, familiares, vizinhos, pessoas comuns vivendo em paz, longe do ódio que Bolsonaro representa, exemplifica e dissemina, de forma magistralmente competente.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.



4 responses to “O semeador de ódio

  1. Uma pena, mas está ficando redundante. Todos da oposição fomentam um “apagão” e um final ruinoso ao governo Bolsonaro. E olha que em vinte anos temos muito a reclamar do catastrófico destino do Brasil em mãos do Lula/Lula/Dilma… Respeito sua opinião e ideologia, mas em 4 meses pós-empossado, a metade desse tempo convalescendo do atentado à faca, o que se pode esperar de um governo que não começou, igualmente com o Congresso nacional, a administrar. Sejamos minimamente sensatos, ainda tem muita gente esperando vaga na cadeia, desde a época do assassinato do Celso Daniel. Seja paciente com a direita, na pior das hipóteses ela pretende colocar os ladrões em suas respectivas e merecidas acomodações: na cadeia.

  2. Mesmo não entendendo nada comento !
    Infelismente , o Nosso: Brasil Varonil , Massacrado , picotado , esculhambado, e atualmente arrasado-, pela incompetência, de pecimos Comandantes, que Não seguem o Rumo em prol, daquele porto Seguro , Possível Um Continente, que tem tudo para dá certo, Máááis desde a Invasão indevida , dos Europeus que dizem que foram Descobridores. Que OS R E I S , vem dando o show que assistimos , e Pagamos um Alto preço… A escravidão Repugnante de Irmãos da Africa, Tratados , pior do que Cachorro de pobre …. E até hoje , é este panorama sombrio e embaçado, de disputadores dos Tronos maravilhosos dos palácios Brasilianos e de todos os outros, Contribuindo para manobras totalmente erradas …
    Estamos F U N – D I -D U S , com maçarico e solda M I G …. Mestry Badahra

  3. eh muita heresia, falar em ódio com tantas mazelas pelo brasil, me faz um favor . vamos falar de trabalho que o povo precisa, deixa os gueis e lésbicas viverem suas vidas como sempre viveram, vá escrever sobre algo aproveitável.

  4. Porque as pessoas se tornam fanáticas?
    Segundo os doutos no assunto, o fanatismo, esse termo que já frequenta os léxicos desde o século XVIII, originário do francês “fanatisme”, esse fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema está sempre associado ao indivíduo borderline (um fronteiriço entre a sanidade e o distúrbio mental, uma personalidade psicopática). Alguns estudos concluíram que tal distúrbio é muito frequente em indivíduos com tendências paranoicas, depressivas ou comportamento obsessivo-compulsivo, da mesma forma que em indivíduos totalmente ignorantes, sem nenhum senso crítico.
    O fanático normalmente é uma pessoa acrítica da causa que defende, pois tem certeza absoluta e incontestável de “suas” verdades. Nenhuma opinião contrária é capaz de demovê-lo de suas ideias atípicas e de seu sectarismo. Ele tem imunidade ideológica, só ouve o que está de acordo com as suas convicções, tem uma personalidade psicopática, como acontece com os comunistas de modo geral e particularmente com os adeptos do marxismo cultural de Antonio Gramsci.
    Neste contexto, o lituano Vytautas Kavolis (1930-1996) deixa entender em seu livro “The Pathology of Ambiguity” que o indivíduo ambíguo, sendo incapaz de compreensão analítica e de questionamento crítico de si próprio, acaba por representar de forma incorreta a própria realidade social, projetando nela os elementos dolorosos da sua própria personalidade doentia e experiência, demasiado penosos para compreender ou eliminar de si próprio.
    Escrevo isto porque a mim causa espanto a maneira irracional e exaltada como as pessoas se manifestam nas diversas mídias, defendendo os mais diversos canalhas e gatunos, muitos deles já condenados e presos, que têm figurado na vida pública brasileira ao longo de sua desastrada história.

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