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No breu do meu eu

A razão oferece regras especiais para realizar uma dedução e, se tais regras não forem respeitadas, a dedução será considerada falsa porquanto o embasamento seja sustentável.

Por Mohammad Jamal.

Meu velho amado fundamentalista – Já faz um bom tempo, décadas, quando papai me chamou à parte e me disse com ar muito sério que eu me preocupava demais com o insignificante, preocupava-me morbidamente, em sua opinião. Há alguns anos que tenho uma vida que até ele acharia normal. Exceto pelo fato de que nos meus momentos livres… Escrevo.   Pode ser uma desilusão para ele, mas será um crime? Ele já não está mais aqui. Faz tempo que faleceu durante uma crise de arritmia cardíaca, um mal de família que a quase todos nós atingiu em algum grau. Tenho um sapo enorme no estômago. Vez em quando ele salta por dentro do meu esófago, não fosse ele apenas um sapo sintomático, avesso à métrica do ritmo onde dançam aos pares nossos ventrículos e aurículas nos emaranhados das nossas fibras cardíacas.

No breu do meu eu tem coisas que só Allah sabe – Escrevo para mim e não importa se leiam, reflitam ou contradigam aquilo que escrevi, repito, escrevo para minha terapia interlocutória. Necessito dialogar com os meus dois eu, o interno conflituosamente crítico e o externo falsamente satisfeito e tranquilo. A ideia de um pensamento permanente que se contradiz contra ele mesmo e que se constitui para ser por mim mesmo questionável num próximo comentário é algo comum às minhas reflexões. Escrever é um processo de contínua transformação. Escrever é se transformar, é desprender-se de si mesmo, dissociar-se de si mesmo, abolir dogmas, contestar as próprias teorias. Se eu soubesse realmente para onde estou indo, eu não escreveria. Por isso escrevo para mim mesmo tentando situar-me numa sociedade que me choca e estarrece ao pavor.

A dualidade conflituosa ante uma realidade manicomial – Às vezes sinto que escrevo contra mim mesmo, contestar-me depende apenas de mudanças sutis e delicadas nuances no mundo ao meu derredor. Dialogar comigo mesmo é um exercício que me extenua a mente e o corpo, e tudo isso me faz cansado porque tudo se repete na mera contemplação de um contínuo e inexorável processo de degradação que “instintivisa” o homem susceptível a partir das reações contextualizadas, suas susceptibilidades, sua ideologia instável falsamente intelectualizada escada acima em sua busca permanente por galardões a partir do domínio que conseguiu exercer com seu filosofismo teorizado sobre a problematização homem/Estado. A isso chamo de abdução. Alguém foi raptado dos seus princípios e valores atraído por um mundo de sonhos alheios muitas vezes transpassados por pesadelos atrozes dissimulados pelo elemento abdutor, um argumentista barato com veemências falhas fantasiadas pela subliminaridade que leva à satisfação dos seus interesses míticos: dinheiro, poder, renome, destaque, fama… Coisa que me incomoda porquanto me desrespeita o juízo crítico fazendo-me sentir como se corporificado num quelônio, mudo, apático, impassível. Existe algum animal mais estúpido? Eu não sou deste gênero nem espécie, eu refuto.

Não obstante, há milhares de seguidores cativos! – O conceito de raciocínio abdutivo situa-se como uma das três principais formas de inferência lógica numa filosofia pragmática. Se bem fundamentada, coisa rara, a abdução é a operação lógica que pode introduzir novas ideias; boas e más, dependendo de quem abduz ou sobre quem a praticam a abdução. A razão oferece regras especiais para realizar uma dedução e, se tais regras não forem respeitadas, a dedução será considerada falsa porquanto o embasamento seja sustentável. Em contraponto, o raciocínio dedutivo é o mais importante, porque é a única lógica que alcança a verdade. Entretanto, no mundo, nem tudo pode ser deduzido ou considerado verdade absoluta, sobretudo quando falamos da complexidade humana, da natureza, dos sentimentos, do psicológico, da mente, do social, da cultura, da arte, etc. Talvez eu tenha permanecido lá atrás, na “obsolescência” do pensamento filosófico dos séculos passados, lá onde teóricos ultrapassados plantaram as sementes filosóficas do humanismo politico/sociológico que refrata e conflita ao falsamente moderno filosofismo dos intelectuais reformistas das próprias reformas, porquanto, sem o perceberem, desconstroem os castelos de areias falaciosas que pensavam fortalezas inexpugnáveis, reerguendo-os logo em seguida com o que sobrou do desmonte.

Tenho pregos e martelos de todos os tamanhos, estão enferrujados ao abandono. É que detesto o som produzido pelos pregadores. – Esses influencers são como as nuvens que associamos às coisas e figura que vemos no dia-a-dia. Olhar as nuvens é um espetáculo inédito em constância e renovação. Ha poucos instantes eu vislumbrava uma águia de chifres pairando no céu, agora já vejo alguém sentado, reflexivo como a escultura do Pensador (de Auguste Rodin) que buscara representar Dante diante os portões do inferno, mas de repente as nuvens mudam e já vislumbro um homem sentado num urinol. Não há explicações e muito menos razões que sustentem o imaginário sobre as nuvens tanto quanto ao criacionismo dos influencers, frios e indiferentes aos em tempos estatísticos da pandemia pelo novo Coronavírus e os engarrafamentos nos cemitérios e às portas dos hospitais. Eles me parecem imunes aos sentimentos comuns dos mais simples humanos; os mortais. Como se alguém presente num velório onde há luto, lagrimas, tristezas, começassem de repete a falar alto e lançar a própria candidatura ou do seu financiador preferido a um cargo público qualquer; a falar sobre o novo clip da Lady Gaga ou no “Pancadão” de Funk do próximo sábado lá no posto de combustíveis, com muito “mé” e as porras. Mortes, agonias, desespero, fome, desemprego… São apenas dados estatísticos. E daí? Mais uma latinha da loira bem gelada, por favor! Ânimo minha gente! Vamos alegrar essas exéquias porque o mundo não acabou.

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2 respostas

  1. Mestry Badahra – É sempre um novo show , que o MESTRE JAMAL MUHAMMAD P A D I L H A , posta aqui neste importante espaço Ilheense, on de a exposição, do tema sempre surpreendente nos prende a Leitura onde Destaque da Apresentação do Causo ou Fato, ou seu ponto de vista , nos Brinda com Um Vocabulário, Que poucas pessoas possam utilizar, por não dispor,deste arsenal,notório evidente, e invejável do Nosso Idioma . SALAM ALEIKUN
    Mestry Badahra

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