Há 132 anos, nós, negras e negros, reivindicamos o direito à cidadania plena. Apesar do fim jurídico da escravidão ter ocorrido no 13 de maio de 1888, ainda desfrutamos de uma cidadania em migalhas.
Por Nicole Rodrigues Vieira.
Há 132 anos, nós, negras e negros, reivindicamos o direito à cidadania plena. Apesar do fim jurídico da escravidão ter ocorrido no 13 de maio de 1888, ainda desfrutamos de uma cidadania em migalhas. Todavia, com protagonismo, estamos arrombando as portas da exclusão e questionando todas mazelas que nos foram impostas. Somos e seremos sujeitos das nossas narrativas. Esse é o caso da jornalista Tia Má.
Mulher negra, gorda, nordestina, periférica, jornalista e humorista, Maíra Azevedo, conhecida nacionalmente como Tia Má, representa um contraponto de sucesso na trajetória de grande parte das mulheres negras do país. A luta pelo empoderamento feminino é sua bandeira maior. Para essa preta originária do subúrbio soteropolitano, projetar-se além do cárcere doméstico por muito tempo pareceu uma possibilidade irrealizável, mas, com muito gana e resiliência conseguiu questionar e reverter essa
lógica trágica.
Enquanto comunicadora Tia Má é uma protagonista, visto que foi a primeira mulher negra do Brasil a ter um Standup, o ‘’Tia Má com a língua solta’’. Abordando o racismo de forma cômica, afirma que seu objetivo ‘’não é rir de quem é o oprimido, mas sim rir das situações como a gente consegue vencer’’ os constrangimentos raciais, ainda hoje escondidos por traz do mito da democracia racial.
Filha de Miralva Dias Azevedo e Evangelista Azevedo, Tia Má teve na sua avó Valdimira Santos Dias, mais conhecida como Dona Bia, a principal referência. Seu flerte com a comunicação começou na infância, contexto no qual se descobriu encantada pelas letras. Sendo uma criança cheia de energia, na escola era recorrentemente advertida pelos professores, por isso, não raro via-se obrigada a refletir sobre suas danações juvenis na biblioteca, espaço associado aos castigos, como afirma. Foi nesse ambiente que Tia Má começou seu enlace afetivo com as letras, tão fundamental para a comunicadora que se tornou.
Até 2015, quando ganhou visibilidade nacional, após participar do programa Encontro com Fátima Bernardes, Tia Má atuava como jornalista em veículos de comunicação da capital baiana. Tendo forte atuação no movimento negro, onde conquistou respeitabilidade dado seu engajamento em prol do empoderamento das mulheres negras, foi na parceira com Fátima Bernardes que Tia Má projetou-se nacionalmente.
Sendo digital influencer de renome, possui no Instagram 595 mil de seguidores. Semanalmente posta em suas plataformas (Youtube e Instagran) vídeos abordando questões variadas. Gordofobia, racismo, LGBTQ+, mulheres em relacionamentos abusivos e autoestima da mulher preta constituem os temas mais explorados.
Nesse momento, Tia Má degusta o sabor adocicado de uma conquista esperada. Acaba de publicar pela editora Agir, o livro intitulado “Como se livrar de um relacionamento ordinário”. O conteúdo e título refletem a versatilidade dessa filha de Oxum. O que nos resta é apenas torcer que essa soteropolitana arretada torne-se inspiração para tantas outras Tia Má. Bem, termino parafraseando essa mulher que tanto admiro: ”tira o sapatinho e bota o pé no chão”.
Nicole Rodrigues Vieira é estudante do curso de Jornalismo da Unime/Itabuna.
* Esse artigo não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.










Respostas de 2
São muito bons os artigos desta jovem: modernos, ousados, voltados para um futuro sem preconceitos. Parabéns para o editor e para a autora!
Leitura boa de se fazer! Clareza e credibilidade nas palavras são marca registrada nos textos de Nicole! Parabéns à essa autora que tanto admiro e ao site por esse espaço de partilha necessário.