Por José Henrique Abobreira/Coluna Folclore político
Muitos o conheceram de perto e o apresento agora àqueles que não tiveram a ventura de conhecê-lo. Adival, meu colega fazendário conhecido como Ferreira Rico pela extravagância e generosidade de seus atos. Perto dele ninguém pagava a conta do bar ou restaurante. Na sua casa, quando convidava um ou dois colegas para o café da manhã, era um exagero de acepipes. A mesa parecia o buffet de um grande hotel tal a fartura de aipim, banana da terra, cuscuz, tortas e bolos. Uma infinidade de itens gastronômicos.
Na repartição entrou numa pinimba com um chefe recém-chegado e ficou relegado numa mesinha vendendo selos. Mas se vingou direitinho mostrando a essa autoridade que ele também tinha amizades influentes, não era cachorro sem dono.
O governador ACM se hospedou no Britania Hotel, em frente à repartição fazendária à época, hoje Casa Jorge Amado. Ferreira aguardou na porta a chegada do chefe e quando este apontou na esquina do Itaú, rapidamente atravessou a rua e sapecou um abraço no governador. ACM conversava numa roda com correligionários na porta do hotel e reconheceu Adival – chamou pelo nome. Pronto: o chefe viu a e cena e nunca mais destratou o subordinado.
Passou o tempo, quase dez anos, e o professor Waldir Pires assume o governo estadual com a proposta do novo, de um governo democrático e popular, uma mudança de métodos, evitando o autoritarismo em que o carlismo tinha mergulhado a Bahia. O efeito que o abraço de ACM produziu na consciência do chefe de repartição era um sintoma desse jeito de fazer política.










Respostas de 2
Bom texto!
Parabéns pela escrita !