BLOG DO GUSMÃO

DELAÇÃO DA ODEBRECHT ATINGE CAMPANHAS DE WAGNER E RUI

Jaques Wagner e Rui Costa.
Jaques Wagner e Rui Costa.

A lista de delatores da Odebrecht tem 77 executivos e ex-empregados da empreiteira. O ex-diretor de relações institucionais da companhia, Cláudio Melo Filho, está entre eles. Parte da imprensa teve acesso às informações que ele adiantou aos investigadores da Operação Lava-Jato nas tratativas para a sua colaboração.

Segundo Melo, as funções do cargo lhe mantiveram em contato com autoridades políticas de muitos partidos. Em troca de apoio financeiro para campanhas eleitorais, essas pessoas defenderam os interesses da Odebrecht em diferentes contextos. A empresa também admitiu que pagou propinas como membro do cartel que superfaturava contratos públicos.

Segundo o portal G1, a delação de Cláudio Melo Filho vai incluir os nomes do ex-governador e ex-ministro Jaques Wagner e do governador Rui Costa, ambos do PT.

Conforme Melo, a Odebrecht teria feito pagamentos de “até R$ 3 milhões” de forma oficial e como caixa 2 para a campanha de Wagner ao Governo da Bahia em 2006. O esquema teria se repetido nas campanhas do próprio Wagner em 2010 e de Rui Costa em 2014.

De acordo com o delator, ainda no início da sua primeira gestão (2007-2010), Wagner ajudou a “destravar” operações de interesse da Odebrecht no polo petroquímico de Camaçari.

Cláudio Melo Filho afirma que o nome de Wagner não era bem aceito na cúpula da Odebrecht. O ex-governador, no entanto, teria demonstrado “atenção aos temas que eram de interesse” da empresa e isso “reforçou a sua imagem no grupo” e o qualificou “como beneficiário de melhores recebimentos financeiros”.

Outro lado

Jaques Wagner disse que a delação de Melo é “repleta de inverdades”. Também chamou atenção para o vazamento de delações não avaliadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme nota divulgada pelo governo Rui Costa nessa segunda-feira (12), Jaques Wagner deixou claro que os contatos que manteve com Claudio Melo ou qualquer representante de outras empresas sempre foram norteados na defesa dos interesses do estado da Bahia. “Estou absolutamente tranquilo porque não houve qualquer ato ilícito. Vou defender de forma intransigente o completo esclarecimento dos fatos porque a sociedade tem o direito de conhecer a verdade”, afirmou Wagner. Atualmente, o ex-governador coordena o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Governo do Estado. 

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