Do JB Online.
Os cinco estados com o maior avanço na renda do trabalho no último ano estão localizados no Norte e Nordeste – regiões que concentram 60% do atendimento do programa Bolsa Família. Em Roraima, o salário médio disparou para R$ 948 em 2008, depois de registrar média de R$ 814 em 2007. Tocantis, Paraíba, Bahia e Pernambuco completam a lista dos maiores ganhos absolutos, de acordo apurou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad).
Com um crescimento de 1,7% em relação a 2007, o salário médio mensal de brasileiros ocupados chegou R$ 1.036 no país todo. O ritmo de crescimento, porém, diminuiu: de 2005 para 2006 o acréscimo era de 7,2%, com outra queda na sequencia seguinte (2006 para 2007), com 3,1%.
No Nordeste, o ganho salarial foi de 5.4%. No Centro-Oeste, houve expansão de 3,2% e o maior salário (R$ 1.261).
Porém, apesar da melhora salarial nos últimos anos, ainda há um abismo muito grande no rendimento do Nordeste e Norte. Em 2008, respectivamente, os valores eram de R$ 504 e R$ 438, contra as demais localidades com rendimentos mais altos: R$ 858 (Centro-Oeste), R$ 840 (Sul) e R$ 831 (Sudeste ).
Na média apurada entre 2007 e 2008 pode-se encontrar uma diminuição nessas diferenças de rendimento, principalmente no Nordeste, onde houve acréscimo de R$ 30 no intervalo de um ano. Sudeste, Sul e Centro-Oeste tiveram aumento médio de R$ 31, R$ 29 e R$ 42, respectivamente.
Brasília lidera
Entre os estados, São Paulo é o de maior salário mensal em média no país, com R$ 1.290. Rio de Janeiro e Santa Catarina ficam próximos ao estado paulista com R$ 1.223 e R$ 1.221, respectivamente.
Da região Centro-Oeste vem o quarto colocado no ranking de maiores vencimentos: no Mato Grosso, em média, um trabalhador recebe por mês R$ 1.180. Fechando a lista dos cinco estados aonde os trabalhadores recebem mais no país vem o Paraná, que foi um dos seis com queda na comparação entre o ano passado e 2007.
A pesquisa nacional do IBGE mostrou um aumento de 7,1% entre os trabalhadores que têm carteira assinada – o que representa boa parcela do crescimento de 5,9% entre os contribuintes com a Previdência.
No Sudeste está o maior número de contribuintes: são quase 25 milhões, enquanto o Nordeste tem o menor, com 33,9% – 8,3 milhões no total. Porém, os que não possuem a documentação obtiveram o maior aumento médio real no rendimento salarial, com 2,7% mais entre 2007 e 2008, ante 1,3% dos com carteira assinada. Já os trabalhadores por conta própria, que pertencem – em sua maioria – ao comércio informal, tiveram queda e 4,4%, interrompendo uma sequencia de elevação.
Aos 30 anos, Carlos Eduardo Borges Aguiar já esteve dos dois lados. Ex-jardineiro em condomínio de luxo na Lagoa e açougueiro do mercado Extra, há dois anos ele seguiu o exemplo do cunhado e investiu mais de R$ 4 mil para abrir uma barraca de cachorro-quente no Rio Comprido. Hoje, com dois empregados e lucrando perto de R$ 5 mil por mês, ele diz não se arrepender da opção pelo comércio informal.
– O salário que ganhava antes não estava mais dando para pagar as contas. Hoje estou sem carteira assinada, mas pretendo regularizar até porque a fiscalização está em cima também – diz ele, que mora no Morro do Turano, próximo ao trabalho. – Futuramente quero me tornar um empresário, com mais de uma lanchonete. Já até estou procurando uma loja para alugar por aqui.









