
Na manhã desta sexta-feira (1), ocorreram protestos em três pontos diferentes de Ilhéus contra as empresas São Miguel e Viametro, que disponibilizam poucos ônibus à população, principalmente aos moradores de vilas, povoados e sedes de distritos.
Os bairros Banco da Vitória (à margem da BR-415), Iguape e o Pontal (nas proximidades do hotel Opaba) tiveram obstáculos ao trânsito de veículos. As manifestações com bloqueio de vias foram encerradas por volta das 9 horas.
Posteriormente, os manifestantes se encontraram na Praça Cairu, fizeram novo bloqueio durante um tempo e seguiram para a frente do Palácio Paranaguá, antiga sede da prefeitura hoje um museu.
Comentário do BG.
O problema perdura desde o início da pandemia de Covid-19 e tem a complacência do governo Mário Alexandre, sempre disposto a atender as empresas em tudo que exigem, inclusive com subsídio no valor de R$ 15 milhões.
Despertaram nossa atenção as palavras de Valci Serpa (diretor da Sutram) à reportagem do site Pimenta.
O responsável pela autarquia municipal de trânsito disse que os protestos concomitantes foram uma “ação orquestrada”, deixando evidente que ele se preocupa apenas com os supostos organizadores articulados, ao invés de combater a causa do problema que tanto incomoda os usuários.
Serpa não tem autonomia para jogar duro, em nome da lei, contra as concessionárias. Em 2018, ele apoiou a reeleição do deputado federal Ronaldo Carletto (PL), cuja família tem participação na empresa Viametro (veja aqui).
Veja este vídeo da manifestação no Centro, copiado do parceiro Blog Agravo.









Respostas de 3
Pergunta a ele se ele tem coragem de passar uma semana indo trabalhar de ônibus? Aí dps ele tem direito de falar com propriedade.
O povo de Ilhéus sabe a verdade.
Diante dos transtornos causados à população devido à insuficiência dos ônibus disponibilizados pelas empresas São Miguel e Viametro para atender à demanda, dificultando sobremodo a locomoção dos usuários, cumpre à prefeitura municipal envidar esforços para sanar o problema com brevidade, a fim de se evitar maiores transtornos.
Não há razão para inércia da administração pública quando a demora na solução do problema possa resultar em danos materiais e morais irreparáveis para a população, como é o caso dos que fazem uso diário das linhas de ônibus das referidas empresas para trabalhar ou estudar, sobretudo os que moram em áreas mais afastadas do centro da ciddade, à exemplo dos moradores de vilas, povoados e sedes de distritos, como bem referido na matéria.
.
O contribuinte recolhe mensalmente uma infinidade de tributos, esperando receber em contrapartida serviços públicos de qualidade, de forma satisfatória e eficaz, incluindo transporte público urbano de qualidade que é um direito fundamental albergado da Contiutição Federal.
O princípio constitucional da eficiência na Administração Pública impõe que os serviços públicos sejam prestados de forma ágil e eficaz, a fim de bem atender as necessidades da comunidade e de seus membros.
Cumpre, portanto, à prefeitura municipal procurar solucionar o mais breve possível o problema da falta de ônibus nos bairros afetados, sob pena de ferir um direito social a todos garantidos pela Constiutção Federal.
“São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.” (Constituição Federal, art. 6º)
Portanto, transporte público urbano para os munícipes não é favor, mas uma obrigação constitucional do gestor público municipal.