BLOG DO GUSMÃO

MAIS FUMO NÃO

jamal-padilha-1Por Mohammad Jamal

O Brasil vive a pior crise moral da sua história política. O brasileiro já não sabe se vive num país democrático ou numa corruptocracia marginal escancarada.  E não vislumbramos nesse atoleiro geral sequer uma possibilidade ou saída para tantos assaltos bilionários, tanta bandalheira, descaminhos, roubos, instrumentalização da máquina pública e sua exploração por oligarquias políticas de direita; de esquerda, do centro, dos bairros nobres, dos sindicatos, de cima e debaixo. Diria seu Epaminondas, evangélico fervoroso: _ “Soltaram o capeta… O que ronca e fuça!” Traduzindo: agora fodeu de vez.  Imaginemos o seguinte diálogo:

“Otoridade” irritado:  – VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?

“Inleitor” submisso: – Com um corrupto ladrão?…

“Otoridade”, com tranquilidade: OLHA ZÉ INLEITOR: POSSO ESTAR RESPONDENDO ÀS CENTENAS DE PROCESSOS; MAS ATÉ PROVA EM CONTRARIO, SOU HONESTÍSSIMO… CONFIABILÍSSIMO! NENHUM DOS MEUS PROCESSOS FOI TRANSITADO EM JULGADO… ALÉM DISSO, AINDA CABEM VÁRIOS RECURSOS!… ME CHAME DE EXCELÊNCIA VIU!

Hoje estamos assim: A Constituição Brasileira e o nosso Código Penal foram, de tal forma, “enxertados” com privilégios legislados em causa própria por nossos representantes na Câmara e Senado, que a própria justiça nos parecer recurvada e submissa sob o peso dos recursos conquistados por representantes dos Poderes políticos em direitos e privilégios supraimunitários inimagináveis. Eles estão quase intocáveis! Flagrante delito para eles, nem pensar; as materialidades das provas jamais são encontradas e os ritos processantes, julgamentos e sentenças prescrevem à mofa no mofo, parados e inconclusos. Tem um candidato lá no Norte cujo pai, político, pregressamente enlameado até o pescoço, mas exercendo mandato, que discretamente, optou por suprimir o sobrenome paterno da sua propaganda eleitoral engrenada em bombástica campanha para uma frutuosa carreira política no executivo! Sem alusões parentais à própria árvore genealógica obscura, mas implícita e subentendidamente poderosa e conhecida, ainda assim lidera as intenções de votos. Está na sala de parto, o nascimento de mais um novo oligarca chefe.

Antigamente o roubo praticado por aqueles seres especiais de colarinhos brancos mensurava-se em milhares de Reais, merrecas; depois, talvez, impulsionado pela inflação, aumentou para milhões de Reais! Agora, possivelmente carregado no paralelismo da crise financeira que afetou os Estados Unidos; deparamo-nos com o advento da nova reforma nos valores dos ativos circulantes; as gatunagens recuperam as perdas cambiais e reascendem a novos patamares atingindo cifras mensuradas em bilhões de Reais! Que país rico e forte o nosso não? E ainda tem gente da FAO (ONU) falando que existem milhões de miseráveis passando fome no Brasil! Fala sério vai! Vão caçar o que fazer!

E nós, eleitores, como ficamos? Na fila dos aposentados; sob o sol a pino nas filas do SUS; nas filas de ônibus, nas filas sob a chuva à porta dos bancos e casas lotéricas onde rolam as fofocas casmurras entre aposentados e bolsistas dos óbolos governamentais; enquanto nas rádios e TVs; nos blogs e sites; nos jornais e revistas; nas redes sociais, no instagran, só se fala em roubo; corrupção ativa e passiva; lavagem de dinheiro; falsidade ideológica; descaminhos; prevaricação; arrastões, etc. Já não nos envolvemos no trabalho de ler e detalhar a trivialidade dessas notícias. É como se essas informações viessem de dentro de uma grande instituição prisional, insurrecta e incontrolada e seus “educandos” tidos e diagnosticados irrecuperáveis. A postulação de uma dada natureza dos fatos tende a encerrar qualquer discussão adicional. Pois, como mostra Aristóteles, dirigimos nossa atenção, em primeiro lugar, ao que é passível de mudança. A natureza dos fatos políticos nos induz impositivamente à troca de seis por meia dúzia. Não há mudanças exequíveis; somente utopias.

Nas campanhas políticas abrem-se escancaradas as portas da ilha da fantasia. É a Corrida do ouro. Aí vem os reformistas de “araque” com suas tardias demonstrações de coragem e oportunismo, induzir o estímulo cívico alheio! Claro, se calados, eles seriam menos ridículos em seus proselitismos e retórica barata. Nós, os insurrectos, somos apenas pragmáticos niilistas. Reconhecer a derrota do SER pelo TER imoral que predomina em todas as representações político-administrativas dessa colônia exaurida por cafetões e proxenetas alçados como gestores e/ou legisladores em é fato para nós. Dizer o que a mais? Voto cidadão? Fala sério, vai!

A política em si, na visão da maioria que buscar a todo custo internar-se nela, não pode ser classificada apenas como sendo o ópio lascivo do poder. Isso porque a política também traz prosperidade; desenvolvimento; crescimento patrimonial e financeiro e, na maioria das vezes, serve também de base de lançamento de onde os poucos favorecidos alçam voos em direção ao nirvana dos milionários; novos ricos e figurões do mundo político capitalista.  

A antologia política e a casuística resultante compõem os históricos incontestáveis dessas “práticas” perpetradas sistemática e cinicamente como metodologia do racionalismo programático dos nossos sucessivos políticos.  A locupletação, as vantagens do poder, a usurpação dos direitos e a malversação em benefício próprio ou de grupos em detrimento e dilapidação das economias do país, dinheiro do povo; indiferentes ao empobrecimento e miséria como produto final para maioria da população. Frases de ordem tais como: “Insurreição, recuperação, vamos à luta, vamos tirá-los dai“ soam-nos prosaicas, tolas, utópicas; porquanto inconsistentes e vazias de sentido prático, inexequíveis.

Mudar as lideranças? Trocar “nossos” representantes? Isso é tolo, inverossímil; utópico; um sofisma literalmente degradado, carcomido, puído pelo tempo. Matá-los; alem de primitivo, seria uma solução radical demais, além de sanguinária e ilegal, é algo brutal e antidemocrático. Algo muito mais vergonhoso que assistir passivamente a vitória da corrupção dos valores morais do homem público e seus atos e ainda ter que votar pela inimputabilidade e impunidade deles!

Montesquieu observa que um dos principais fatores de corrupção da aristocracia é dela tornar-se hereditária, promovendo um total espírito de negligência, preguiça e abandono e fomentando um declínio da obediência ao Estado; tal como acontece na atualidade. Basta substituir na frase, “da aristocracia”, por “das oligarquias”, para que tudo se encaixe como uma luva à existencialidade democrática brasileira.

De fato, se considerarmos o objetivo da aristocracia e do povo, perceberemos na primeira a sede do domínio; no segundo, o desejo de não ser degradado, talvez uma vontade mais firme de viver em liberdade, porque o povo pode bem menos que os poderosos ter esperança de usurpar a autoridade. Assim, se os plebeus têm o encargo de zelarem pela salvaguarda da liberdade, é razoável esperar que o cumpram com menos avareza, e que, não podendo apropriar-se do poder, não permitam que os outros o façam.” (MAQUIAVEL, 1985, 33).

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