BLOG DO GUSMÃO

CÂMARA CENSURA “IGUALDADE DE GÊNERO” NA EDUCAÇÃO DE ILHÉUS

Thiago DiasPor Thiago Dias

O governo Jabes Ribeiro demorou de enviar o projeto do Plano Municipal de Educação (PME) para a Câmara de Vereadores de Ilhéus. Pressionados, os parlamentares o receberam e aprovaram em menos de uma semana. A pressa teve motivo: o prazo estabelecido pelo Plano Nacional de Educação (PNE) acabará na próxima quarta-feira (24). Os defensores da família brasileira agiram rápido para censurar expressões como “igualdade de gênero” e “sexualidade”, com o consentimento da maioria dos vereadores. Nas palavras do blogueiro Chico Andrade, a “bancada cristã determinou” a retirada desses termos, “permitindo apenas a permanência” da expressão “diversidade étnica” – leia aqui.

No delírio conveniente dos que comovem multidões e por elas são embalados, a laicidade do Estado é um erro constitucional que a fúria de Deus condenará. Enquanto isso, ignoram a décima diretriz do Plano Nacional de Educação: “X – promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental.”.

A lógica da maioria dos vereadores de Ilhéus é autoexplicativa: nós temos parlamentares negros e, por isso, aceitamos a expressão “diversidade étnica” no PME (o que é justo). Mas, todos os dezenove edis são homens, o que explica em parte a censura à igualdade de gênero. O outro lado da explicação está no déficit cognitivo que alguns dos nossos representantes revelam sem pudor – isso não pode ser desprezado ao considerarmos a qualidade de uma legislatura, mesmo não sendo impedimento legítimo para o exercício do cargo. 

A censura expressa a vontade de aniquilar alteridades insurgentes. Não se trata de defender tradição alguma, mas sim, atacar a existência e a visibilidade de outras formatações familiares que continuarão a existir. A glória daquilo que gentilmente chamamos “bancada cristã” é o silenciamento das vozes dissonantes. O que esse grupo comemora como grande feito é, no fundo, um atentado contra o ideal do convívio democrático  entre seres diversos.

A hegemonia de ideias que se pretendem universais não favorece a construção de sociedades afeitas à convivência sadia de crenças diferentes. Afinal, os homens ainda derramam sangue em nome de deuses, cores e valoresO pensador inglês Stuart Mill (1806-1873) deixou uma lição sobre a liberdade que alcança, interpretada hoje, a essência de questões como os direitos LGBT, a descriminalização do uso de drogas e a emancipação da mulher. Eis uma boa leitura para os vereadores que censuraram o plano de educação de Ilhéus:

“…O odium theologicum, no fanático sincero, é um dos mais inequívocos casos de sentimento moral. Aqueles que primeiro quebraram o jugo daquilo que se autointitulava a Igreja Universal em geral estavam tão pouco inclinados a admitir a diferença de opinião religiosa quanto aquela própria igreja.[…] É quase exclusivamente sobre este campo de batalha que os direitos do indivíduo contra a sociedade têm sido afirmados sobre amplas bases de princípio e que a pretensão da sociedade em exercer a autoridade sobre os dissidentes tem sido abertamente contestada. […] O único propósito para o qual o poder pode ser legitimamente exercido sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada e contra a sua vontade é o de evitar danos aos demais. O seu bem próprio, seja ele físico ou moral, não é uma justificativa suficiente. Ele não pode ser legitimamente compelido a fazer ou a abster-se de fazer algo porque será melhor para ele assim, porque isto o fará mais feliz, porque, segundo as opiniões dos demais, seria prudente, ou mesmo certo, assim fazer. […] A única parte da conduta de alguém, pela qual este é responsável perante a sociedade, é aquela que diz respeito aos demais. […] Sobre si mesmo, sobre seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano…”.

Thiago Dias é repórter do Blog do Gusmão.

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Respostas de 8

  1. A maioria da população é totalmente contra a implementação da proposta que “flexibiliza” o sexo da criança, porém, quem for a favor, achar que é normal, que coloque em prática com seus filhos no aconchego do lar.

  2. Tiago, bom dia,
    sempre firme nas publicações, traduz, desta vez o sentimento de indignação dos cidadãos e das cidadãs comprometidos/as com a luta por um mundo em que a diferença e a diversidade sejam cada vez mais respeitadas e praticadas. O que não admitimos é desigualdade, ausência de isonomia no acesso às oportunidades e, o que é pior, direito pela metade. Por que os “caçadores de bruxa” dos tempos atuais se insurgem contra expressões como gênero e diversidade num documento que virará LEI num país, num município e numa realidade que segregam, que violentam, que matam, que negligenciam pessoas negras, mulheres, homossexuais, pobres…em nome da “limpeza étnica, da moral e dos bons costumes e da família?O pior é que enquanto praticam o espírito medieval em pleno século XXI, se esquecem de olhar o conjunto da ópera que é o próprio Plano aprovado ao arrepio da lei [2.628/97 e 3.083/04]. e sequer olharam as incongruências internas que o Documento porta e que deveriam ser corrigidas pelo único órgão que tem competência para dar PARECER sobre a legalidade e a legitimidade de um Plano Municipal de Educação: o CME. então meu caro Tiago, ainda que vivamos tempos pós “esclarescimento” [no sentido kantiano], ainda presenciamos a “caça às bruxas” sem CAUSA. Por que, o que querem muitos dos que se insurgem contra algo que o mundo todo reconhece: o direito à diferença?

  3. O pensamento retrógrado uma vez mais a frente da política ilheense, isto é se é que um dia não esteve aí. Não se faz políticas públicas porque se interpreta que a maior parte da população isto e aquilo. Se faz por ser essencial a eqüidade e justiça na sociedade. Os políticos deveriam ser a vanguarda da transformação da sociedade, mas cada dia mais vemos o oposto.

  4. Senhores,

    Quem disse que é direito da comunidade LGBT e dos esquerdóides de plantão “doutrinar” nossas crianças no homossexualismo, porque para quem não sabe, a ideologia da identidade de gênero é uma expressão sofisticadas para implantarem nas escolas a ditadura gay, relativizando o sexo biológico sobre um “contexto cultural e social”, em outras palavras, dizendo para o garoto que ele pode não ser garoto e para garota o mesmo. Mais ainda, levando a depravação de permitir nas escolas que garotos que se sintam garotas possa frequentar o banheiro feminino, por exemplo.
    O que essa turma quer é influenciar nossas crianças, desde cedo, a prática homossexual, roubando-lhes a inocência e pureza infantil e também privar os pais de concederem uma educação de acordo com seus princípios.

    Pseudos intelectuais a serviço da depravação moral e da destruição da família. Parabéns vereadores de Ilhéus por não aprovarem essa ideologia nociva a família.

    Quem quiser doutrinar seus filhos nesses termos que o faça em casa.

  5. Estrategicamente, querem igualar a questão do racismo e da violência contra a mulher a “ideologia da identidade de gênero”. A questão é que duvido muito que sejam produzidos material didático contra o racismo e a violência contra a mulher nos mesmos moldes do famigerado kit gay que quiseram implantar ano passado, com imagens pornográficas homossexuais que jamais poderia ser dado a um adolescente que dirá a crianças de idade tenra.
    São devassos, desrespeitosos, indecentes e não se trata de ensinar o respeito as diferenças, com a qual concordo, mas de “doutrinar” nossas crianças na ditadura gay que o ativismo e esquerdoides querem porque querem implantar no Brasil.

  6. Aos que se dizem contra…

    A Constituição Federal garante igualdade de direitos a tod@s.

    NÃO ADIANTA JÁ ESTAMOS DISCUTINDO ISSO NA ESCOLA!!!

    “Se cuida! Se cuida! se cuida, imperalista! A américa latina vai ser toda feminista!”

    “A nossa luta é todo dia contra o racismo, machismo e homofobia!”

    “O movimento que eu faço, tem mulher em todos os espaços”

    “A nossa luta é todo dia, o meu corpo não é mercadoria!”

    “se o mundo fosse cheio… Fosse cheio de sapatão… Seria a re-vo-lu-ção… Revolução das sapatão”

    “as gay, as bi, as trava e as sapatão tão tudo organizada pra fazer revolução”

    “eu beijo homem, beijo mulher, tenho o direito de beijar quem eu quiser”

    “contra a autoridade, as bichas na cidade”

    “acabem com o ódio, acabem com a dor, queremos nossos filhos educados com amor”

    Bônus track:
    “Contra o Vaticano, prazer clitoriano”

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