
O governo Jabes Ribeiro acaba de suspender o processo licitatório por meio do qual pretendia contratar uma empresa para a “execução de serviços especializados em planejamento e operacionalização em saúde”. Segundo Jorge Luiz, candidato a prefeito de Ilhéus pelo PSOL em 2012, a prefeitura quer “terceirizar” a gestão da Secretaria de Saúde. Com isso, evitaria a realização de concurso público e ainda usaria a “brecha” para recontratar profissionais que devem ser exonerados por força de decisão judicial. O socialista denunciou ontem (25) a “manobra” aos ministérios públicos Estadual, Federal e do Trabalho.

De acordo com Jorge Luiz, “o episódio remete ao mês de dezembro de 2013, quando o prefeito Jabes Ribeiro descumpriu acordo judicial e autorizou a realização do processo seletivo simplificado da saúde ao invés de organizar um concurso público”. Na época, Jorge, Távila Aparecida e Elza Cardoso eram conselheiros municipais de saúde e denunciaram o governo. A Justiça do Trabalho mandou a prefeitura suspender os contratos vinculados à seleção, mas, o gestor recorreu ao Supremo Tribunal Federal e conseguiu remeter a matéria para a justiça comum. Em outubro de 2014, a Juíza Adriana Quinteiro Bastos Silva, da 1ª Vara da Fazenda Pública, determinou a anulação do certame – lembre aqui.

Segundo Jorge, na prática o prefeito “vai transformar a Secretaria de Saúde num objeto de decoração administrativa e entregar a gestão de recursos humanos e serviços para uma cooperativa. É assim que ele pretende burlar o acordo judicial que obriga a prefeitura a só realizar contratações por meio de concurso público.” O próprio governo estima que o município vai fechar um contrato de R$ 58.808.004,03 com a empresa que vencer o certame (confira aqui).
Conforme a Comissão Permanente de Licitação da Prefeitura de Ilhéus, o certame marcado para a próxima segunda-feira (29) foi suspenso “em razão de impugnação impetrada” pelo Instituto de Projetos Apoio Social do Brasil e a COOFSAÚDE-COOPERATIVA DE TRABALHO. O diário oficial não traz detalhes a respeito das alegações das concorrentes sobre o processo licitatório.
Em tempo: não encontramos o edital de homologação da concorrência pública 001/2015 no Diário Oficial do Município (o de abertura está neste link e o de suspensão, neste). Entre outras informações, esse documento confirmaria quais empresas foram habilitadas para a disputa do contrato milionário.









Uma resposta
Boa noite!
Desde ontem, o edital de licitação foi postado no blog do Conselho Municipal de Saúde, na aba “licitações”.
Consideramos, acima de tudo, os valores para remuneração dos profissionais “a serem contratados”, muito acima da realidade e dos valores pagos aos servidores efetivos.
Mantivemos contato com o Secretário de Saúdee, dissemos que queríamos esclarecimentos da gestão local do SUS e da Procuradoria Geral do Município,quanto aos parâmetros utilizados para fixar tais valores; mesmo porque, tal assunto não fora discutido no Conselho de Saúde e, portanto, não teria a anuência daquele órgão.
Já estava trabalhando num arrazoado para dar ciência do fato ao Ministério Público Federal, na segunda-feira, 29/06/2015, pela manhã.
Fred Oliveira
Presidente do Conselho Municipal de Saúde