BLOG DO GUSMÃO

MORRE O PROFESSOR PAULO KAGEYAMA, GRANDE DEFENSOR DA BIODIVERSIDADE E DA AGROECOLOGIA

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Paulo Kageyama faleceu aos 70 anos. Imagem: SOS Mata Atlântica.

Faleceu ontem (terça-feira, 17), em Piracicaba, o Professor Paulo Yoshio Kageyama, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq/USP.  Acadêmico de intensas práticas, Kageyama atuou no sul da Bahia como professor do mestrado em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável do Ipê-Escas, em Serra Grande, Uruçuca. Respeitado pelos movimentos sociais que lutam pela reforma agrária, utilizou o conhecimento adquirido para ajudar famílias de trabalhadores rurais do assentamento do MST localizado em Itamaraju, extremo sul da Bahia.

Defensor da agroecologia, a história de Paulo Kageyama é marcada pela dedicação em pensar outra matriz agrária e agrícola para o Brasil, tendo como prioridade a conservação e manejo da biodiversidade. Sua importante contribuição o consolidou como um dos maiores pesquisadores dos bens naturais e da agroecologia. Seu legado científico e político é um marco fundamental para a civilização brasileira.

Neto de imigrantes japoneses, Paulo Kageyama era agrônomo formado pela Universidade de São Paulo, com mestrado e doutorado pela mesma universidade e pós doutorado pela North Carolina State University. Ao longo dos seus mais de 40 anos de carreira, trabalhou com genética e conservação, com foco na conservação de ecossistemas tropicais, restauração de áreas degradadas, sementes florestais, variabilidade e estrutura genética, assim como agrobiodiversidade e agricultura familiar.

Segundo o site do Movimento dos Sem Terra (MST), Kageyama sempre entendeu que a biodiversidade é um bem comum dos povos, sendo historicamente conservada pela diversidade do campesinato brasileiro. Seu compromisso com os seringueiros, com os ribeirinhos, com os agricultores tradicionais, garantiu o desenvolvimento de uma teoria articulada com a prática que muito contribuiu para diversas iniciativas populares.

De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, como estudioso e defensor da agricultura agroecológica, Kageyama alertava sobre os impactos do uso intensivo de agrotóxicos na produção de alimentos. Durante quatro anos ele foi membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e foi um dos críticos da liberação dos transgênicos no Brasil, em especial do eucalipto transgênico, destacando os seus impactos potenciais para as questões hídricas e de biossegurança. 

O editor deste blog teve a honra de assistir aulas de Paulo Kageyama em Serra Grande. Como professor ele utilizava linguagem simples. Seu conhecimento gerava entusiasmo nos alunos. O corpo de Kageyama será sepultado na tarde dessa quarta-feira, 18, no cemitério Parque da Ressurreição em Piracicaba (SP).

Organizações da sociedade civil, a exemplo da Fundação SOS Mata Atlântica, MST, Instituto Socioambiental (ISA) e Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) consideraram o falecimento de Paulo Kageyama uma grande perda para o setor florestal brasileiro.

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Uma resposta

  1. O Prof. Paulo Kageyama contagiava e com o seu conhecimento entusiasmava os alunos.
    Todos os ambientalistas e especialmente os conservacionistas de florestas nativas sentimos muito a ausência desse emérito Professor e Pragmático Ativista Ecológico.

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