
Por Thiago Dias
No livro Por que os líderes mentem (2011), o professor John Mearsheimer, da Universidade de Chicago, toma como um de seus exemplos a decisão política do governo Bush de invadir o Iraque. A justificativa era a ameaça de armas químicas nunca encontradas. Naquele momento, em 2003, interessava ao grupo político do presidente norte-americano demonstrar que a guerra contra Saddam Hussein não era uma questão de escolha, mas sim de necessidade.
A guerra entre duas nações e os discursos que a racionalizam estão num universo de relações amplas e complexas, a começar pela necessária aceitação do assassinato como instrumento racional do poder. Atuar nesse ambiente é papel para a propaganda do Estado Nacional. Nesse ramo, o Nazismo foi precursor de recursos estéticos que ainda predominam em campanhas políticas. A expressão “campanha publicitária” não nega a condição da propaganda como espécie de esforço de guerra.
A onipresença da propaganda, que muitas vezes substitui o diálogo até nas relações pessoais, foi denunciada pelo filósofo Albert Camus no ensaio O homem revoltado, de 1950, escrito sob o impacto da Segunda Guerra Mundial e dos aspectos mais trágicos do socialismo russo. Ele lembra que, em determinado momento da consolidação da ideologia totalitária, a União Soviética se viu às voltas com a necessidade de censurar escritos do próprio Karl Marx. Naquela altura, parte do pensamento do filósofo e economista alemão já havia sido transformada em heresia pelos revolucionários. Segundo Camus, as revoluções que ele conheceu produziram somente assassinos ou hereges.










