Por Mohammad Jamal
A cada dia transcorrido na contagem regressiva para eleições, as campanhas políticas tomam ares e conotações diferentes. Diariamente nos deparamos com fatos novos; com artifícios e estratégias não ortodoxos; com recursos singulares pouco usuais e até surpreendentes. Estão antecipando em meses o “salve-se quem puder”. A caça ao tesouro vai aos poucos abolindo as regras regulamentares e as práticas da cordialidade política. E notem que ainda estamos a dois meses das eleições!
O MMA das campanhas vai desrespeitando as Convenções de Genebra e tratados nacionais, é guerra sem quartel. Do pescoço para baixo é canela. O recrudescimento dos embates políticos passa-nos a temperatura de ebulição do aço. Atendo-nos aos dois principais grupos políticos postulantes a Prefeitura podemos perceber os sinais ideológicos do vencer ou vencer adotados por Hernán Costéz quando supôs haver chegado ao Eldorado! Há muita fumaça no ar e o clarão do fogo avisa-nos das naus sendo queimadas nos morros, nos bairros populares e populosos, nos corpo-a-corpo. O pau também está comendo solto no terreno dos Cartórios e Varas da Justiça Eleitoral onde incineram os medos e as caravelas.
Os monopolistas políticos que despontam nessa eleição, Jabistas e Camelitistas, alternam armas e escudos titânicos. Uma briga com facões e adagas afiadas travada no quarto escuro onde os eleitores guardam passivamente os seus votos e, onde sujeitos às “sobras” de facãosadas perdidas, distribuídas a esmo pelos competidores.
De parte a parte, ambos encaram suas vulnerabilidades políticas e os méritos logísticos de cada um. O grande contingente formado pelos tardios Carmelitistas tinge a cidade de vermelho petista apoiados pelo prefeito matemático, o Newton, em surdina… Quase invisível. E varrem para debaixo do tapete do esquecimento compulsório a Filiação Salvadora (não sei para qual dos dois) do prefeito como tabu em intocabilidade e mudez. De comum, eles também se debatem com mandatos pífios amarrados aos currículos às costas.
Os jabistas, madrugadores contumazes, fundistas de longos percursos, aprioristas e previdentes, (quem chega cedo antes dos camelos à fonte, bebe água limpa) também se debatem envoltos nas vulnerabilidades herdadas do último mandato do seu líder na prefeitura de Ilhéus, tido como responsável pelo infausto advento do equivocado Voto de Protesto que nos trouxe as era Valderiquiana e, pra completar, aquelas newtonianas que amargamos em dor e sofrimento.
E o pau vai comendo à nossa revelia e escancarada ignorância; tudo sob uma baixa autoestima que negamos peremptoriamente, mas que, não obstante, insistem em subestimar-nos com a desimportância do arbítrio do voto, o qual que julgam poder manipular com jingles e spots com músicas e letras de gostos duvidosos, com suas fotografias horrorosas, seus santinhos e beatos (beatos são santinhos impressos em casa, na HP do sobrinho), com carreatas e aquele papo furado carregado de ambivalências teóricas e promessas de Penélope (Esposa de Ulisses – de James Joyce) que tricotava de dia e destricotava à noite e, que terminou não dando pra ninguém!
Nossos candidatos não atingiram a maturidade da percepção, correm de olhos fixos no voto e se esquecem do principal, o eleitor que o aciona solitário diante da urna eletrônica, sem ingerências presenciais dos candidatos. A cidade está suja de inúteis santinhos, beatos e sob grave poluição sonora e visual. Nesses casos, a teoria de Pavlov, aquela das reflexivas condicionantes, não funciona.
Embalados na estridência dos reclames eleitorais impositivos gritados em mescla à sonoridade das musicas de Rodoviária (apenas como referência à localização geográfica), essas músicas são executadas às portas das “pensões e dormitórios” ao entorno das estações rodoviárias do interior. Das oratórias insipientes recitadas à revelia das verdades e das razões carentes de conteúdo lógico.
Ainda ontem, na rua, fui interpelado de chofre por um candidato a vereador com a seguinte arguição: “_ E aquele nosso voto?… Abra seu voto pra mim”. Não sei o porquê de ter respondido de bate pronto, respondi-lhe: “_ Cortei! Cortei pela cepa!…”. Ele saiu em silêncio, surpreso com a incapacidade eletiva do meu voto eunuco rufião. Voto, ovo, coração não possuem pernas. Como posso então abri-las ou arreganha-las para ele? Olha se vou votar assim? Queremos propostas, projetos e programas exequíveis de governo. Utopias não. Embromações, não. Basta falar a verdade uma única vez. Entendemos o período de convalescença necessária entre um governo e outro, da necessidade dos entendimentos e acordos políticos e dos apoios Federal e Estadual. Duma Câmara Legislativa que priorize Ilhéus e não exclusivamente os interesses dos vereadores e, de um prefeito com experiência e conhecimentos da administração pública ilheense, que cumpra pelo menos as obrigações e necessidades básicas da nossa população no que tange à Educação, Saúde, Saneamento Básico, Limpeza pública e serviços urbanos, Assistência Social, Planejamento e desenvolvimento na indústria e comercio. Já dizia desde o seu primeiro mandato o político administrador paranaense Jayme Lerner: “Não há segredos para fazer uma boa gestão. Basta aplicar o dinheiro do povo em benefício do próprio povo… E só”. Coração e votos não têm pernas viu? Que vença o melhor, porque Ilhéus está gravemente enferma!









Uma resposta
Caro,amigo,estava sentindo falta de suas mensagens ,sempre inteligentes.