O JOGO DO ESQUECIMENTO DE JABES RIBEIRO

O ex-prefeito Jabes Ribeiro. Imagem: Secom/Ilhéus.

Editorial do Blog do Gusmão.

Em aparições recentes, o ex-prefeito Jabes Ribeiro (PP) voltou a se posicionar no tabuleiro da política de Ilhéus. Exímio jogador, se pôs a testar a recepção dos moradores do município para a dubiedade da sua estratégia. O jogo é uma espécie de tubo de ensaio para um teste de memória e esquecimento.

Passado mais de ano do seu quarto mandato de prefeito, ele disse que vai voltar para a vida política da cidade. Revelou essa pretensão no embalo das medidas que o governador Rui Costa (PT) anunciou para a saúde de Ilhéus, em parceira com a prefeitura. Assim, Jabes apareceu para ocupar espaço na pauta positiva do governo Marão.

A jogada testou a memória da opinião pública. Dizer que vai voltar é uma forma de perguntar aos moradores de Ilhéus se eles ainda associam o nome do ex-prefeito aos desmandos da gestão passada, às perseguições contra os servidores, ao asfalto de má qualidade nas ruas e ao caos na saúde – marcas do seu governo.

Não por acaso, Jabes ressurgiu justamente ao lado do secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Bôas, o mesmo que, em 2015, disse que Ilhéus precisava de um “puxão de orelha” para fazer a rede de atenção básica à saúde funcionar.

Ao que parece, o resultado da jogada não foi satisfatório, porque JR mudou o discurso no mês seguinte. Dessa vez, afirmou que não vai ser candidato nas próximas eleições municipais. Para o Jabes de hoje, o ex-vice-prefeito Carlos Machado (Cacá) é o seu sucessor na liderança do Partido Progressista em Ilhéus. Dias depois, Cacá assumiu a presidência municipal do PP.

Com o recuo estratégico, Jabes ajuda a população a esquecer dos seus dezessete anos no comando da prefeitura. Do contrário, caso mantivesse o “vou voltar” em pauta, manteria viva também a memória que o desabona. Por isso, recorreu à dúvida.

Para tentar se manter no páreo político sem a inconveniência das críticas, joga com o dúbio. Assim, é como se dissesse: “não sou candidato, mas estou vivo. Lembrem-se de mim!”.

Daqui a dois anos, caso os ventos da lembrança se mostrem favoráveis, Jabes poderá tirar da manga o argumento mais manjado do seu repertório sofístico: o de que voltará à disputa eleitoral praticamente obrigado por seus amigos, pela vontade do povo. O eventual sucesso de uma jogada desse tipo dependerá do tamanho da memória ou do esquecimento dos eleitores de Ilhéus.



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